Itaú lucra R$ 12,6 bi e mantém inadimplência
O Itaú Unibanco encerrou o terceiro trimestre com resultado em linha com o esperado pelo mercado e inadimplência controlada. O banco também ampliou a carteira de crédito e revisou sua projeção tributária para 2026.

Em resumo
Segundo o NeoFeed, o Itaú Unibanco divulgou em 3 de novembro um lucro recorrente de R$ 12,61 bilhões no terceiro trimestre, com ROAE de 23,6% e inadimplência controlada. A carteira de crédito chegou a R$ 1,54 trilhão, enquanto o banco revisou para baixo sua projeção de IR/CS para 2026.
O Itaú Unibanco lucrou R$ 12,61 bilhões no terceiro trimestre e manteve a inadimplência sob controle, segundo o portal NeoFeed. O resultado, divulgado em 3 de novembro, veio em linha com o esperado pelo mercado e reforça a leitura de que o banco segue entregando um balanço consistente mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador.
O que o balanço mostrou
O lucro recorrente gerencial do Itaú avançou 6,7% em relação ao mesmo período do ano anterior e 2,5% na comparação com o trimestre anterior. A rentabilidade, medida pelo ROAE, ficou em 23,6%, com alta de 0,3 ponto percentual em 12 meses, mas queda de 0,7 ponto percentual frente ao trimestre imediatamente anterior.
Na avaliação do NeoFeed, o banco voltou a entregar um resultado previsível, com qualidade de carteira preservada. Um gestor ouvido pelo veículo resumiu o balanço como “um relógio”, destacando a estabilidade da inadimplência.
Carteira de crédito segue crescendo
Mesmo com maior pressão sobre o crédito no setor bancário, o Itaú continuou expandindo sua carteira. O saldo chegou a R$ 1,54 trilhão ao fim de setembro, com alta de 2,2% no trimestre e 10,9% em 12 meses.
O avanço foi puxado principalmente por modalidades com garantias e menor custo para os clientes. O destaque foi o crédito imobiliário, segmento em que o banco ampliou sua participação e avançou 4,4%.
Esse movimento ajuda a explicar por que o banco conseguiu sustentar crescimento com rentabilidade, mesmo em um ambiente mais adverso para concessão de crédito.
Inadimplência permanece controlada
Um dos pontos mais observados no balanço foi a inadimplência. O Itaú encerrou setembro com 2,0% das operações em atraso superior a 90 dias, com aumento de 0,1 ponto percentual no ano e no trimestre. Na faixa entre 15 e 90 dias, o indicador ficou em 1,7%.
Segundo o NeoFeed, o aumento dos atrasos não tirou o controle da carteira. Para o mercado, esse é um sinal importante porque mostra capacidade de gestão de risco em um momento em que a qualidade do crédito preocupa o setor bancário.
O custo do crédito somou R$ 10,4 bilhões no trimestre, com relação estável de 2,7% da carteira em termos anualizados na comparação com o trimestre anterior.
Margem, receitas e despesas
A margem financeira com clientes cresceu 2,6% no trimestre e 6,6% em 12 meses, acompanhando a expansão da carteira de crédito. O Itaú também atribuiu parte desse avanço ao maior número de dias no período e ao aumento das receitas com operações estruturadas no atacado.
As receitas com serviços subiram 0,5% no trimestre. Entre os destaques positivos, a administração de recursos, incluindo fundos e consórcios, cresceu 7,8%, enquanto as receitas com emissão de cartões avançaram 7,1%.
Na direção contrária, houve redução das receitas de investment banking, sobretudo com emissões de títulos de renda fixa.
As despesas não decorrentes de juros totalizaram R$ 17,1 bilhões, alta de 2,4% no período. O banco informou que o aumento foi influenciado principalmente pelo reajuste salarial de 4,6% previsto no acordo coletivo dos bancários. Ainda assim, o índice de eficiência no Brasil melhorou 1,4 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre de 2025, para 35,7%.
O que mudou na projeção tributária
Junto com o balanço, o Itaú revisou para baixo sua projeção de alíquota efetiva de Imposto de Renda e Contribuição Social em 2026. A faixa anterior, entre 29,5% e 32,5%, passou para 28% a 29%.
Segundo o banco, a mudança reflete a alteração na trajetória esperada da Taxa de Juros de Longo Prazo, a TJLP. Na prática, essa revisão pode reduzir a parcela do lucro antes dos impostos destinada ao pagamento desses tributos, o que tende a favorecer o resultado líquido.
O NeoFeed informa que, para um gestor ouvido pelo veículo, essa redução da alíquota efetiva tem potencial para elevar o lucro por ação em 4% a 5% a médio prazo.
Como o mercado leu o resultado
Apesar da consistência operacional, as ações do Itaú caíram após a divulgação do balanço. Os papéis recuaram 1,67% no pós-mercado da NYSE e 0,68% na B3, acumulando queda de 1,89% no ano.
A leitura do mercado, segundo o NeoFeed, é que o banco segue entregando um desempenho sólido, mas já opera com uma régua elevada de expectativa. Em outras palavras, o desafio passa a ser manter esse nível de rentabilidade em um ambiente de crescimento menor dos spreads.
Por que esse balanço importa
O resultado do Itaú é relevante porque ajuda a medir a temperatura do setor bancário em um momento de maior pressão sobre crédito, inadimplência e margens. Quando um banco desse porte consegue crescer a carteira, preservar a qualidade dos ativos e manter rentabilidade elevada, o sinal para o mercado é de resiliência.
Além disso, a revisão tributária para 2026 adiciona um elemento positivo ao horizonte de resultado, ainda que o efeito dependa da evolução da TJLP e do ambiente macroeconômico.
Em resumo, o balanço reforça a imagem de um banco que segue combinando crescimento, disciplina de risco e eficiência operacional.
Perguntas frequentes
Qual foi o lucro do Itaú no terceiro trimestre?
O Itaú Unibanco registrou lucro recorrente gerencial de R$ 12,61 bilhões no terceiro trimestre, segundo o NeoFeed.
A inadimplência piorou no período?
Houve aumento nos atrasos, mas o banco manteve o indicador sob controle. A inadimplência acima de 90 dias ficou em 2,0% e a faixa entre 15 e 90 dias em 1,7%.
O que mais chamou atenção no balanço?
Além do lucro em linha com o esperado, chamaram atenção a expansão da carteira de crédito para R$ 1,54 trilhão, o ROAE de 23,6% e a revisão para baixo da projeção de IR/CS para 2026.



