Petróleo: Prio mantém foco total no óleo e gás
A Prio quer seguir concentrada na produção de petróleo, sem avançar para solar ou eólica. A estratégia reforça a especialização da maior produtora independente de óleo e gás do Brasil.

Em resumo
A Prio, maior produtora independente de óleo e gás do Brasil, quer seguir focada em petróleo, sem migrar para solar ou eólica, segundo o NeoFeed. Em entrevista publicada em 5 de novembro de 2026, o CEO Roberto Monteiro defendeu a especialização da companhia, enquanto os resultados do terceiro trimestre mostraram forte alta de produção, receita e lucro.
A Prio quer seguir concentrada na produção de petróleo e não planeja avançar para energia solar ou eólica, segundo o portal NeoFeed. A decisão reforça uma estratégia de especialização em óleo e gás, mesmo em meio à pressão da transição energética e ao movimento de grandes petroleiras para diversificar negócios.
O que a Prio decidiu fazer
Em entrevista ao programa Bravamente, o CEO da Prio, Roberto Monteiro, afirmou: “Nós vamos continuar produzindo petróleo”. A fala resume a direção da companhia, que não vê, neste momento, espaço para mudar de rota e entrar em outros segmentos de energia.
A empresa é a maior produtora independente de óleo e gás do Brasil e mantém seu modelo baseado na aquisição de campos maduros de petróleo e na busca por ganhos de eficiência operacional. Em vez de ampliar o portfólio para renováveis, a companhia prefere aprofundar sua atuação no negócio principal.
Por que a estratégia chama atenção
A posição da Prio contrasta com a de outras petroleiras citadas pelo NeoFeed, que vêm investindo em fontes renováveis para diversificar receitas e se adaptar às mudanças do setor.
Entre os exemplos mencionados estão:
- a francesa TotalEnergies, que firmou parceria com a Casa dos Ventos para desenvolver um portfólio de projetos renováveis de 12 GW até 2030 no Brasil;
- a norueguesa Equinor, que participa dos complexos solares Apodi, no Ceará, e Mendubim, no Rio Grande do Norte;
- a britânica BP, que assumiu o controle integral da antiga BP Bunge Bioenergia.
Enquanto essas companhias expandem sua presença em outras frentes, a Prio sustenta que sua vantagem está justamente na especialização.
O que o CEO da Prio defende
Roberto Monteiro argumenta que produzir petróleo não significa, automaticamente, ter vocação para gerar eletricidade ou operar em outros segmentos de energia. Segundo ele, a empresa quer seguir eficiente no que conhece melhor.
O executivo também reconhece a necessidade da transição energética, mas avalia que o petróleo continuará relevante por muitos anos. Na visão da companhia, a prioridade é combinar eficiência operacional, redução de impacto ambiental e retorno aos acionistas.
Essa lógica aparece em outra frase atribuída ao CEO: “O fato de você produzir petróleo não quer dizer que você vai produzir energia elétrica bem”.
Resultados reforçam a tese da especialização
Os números do terceiro trimestre de 2026 ajudam a explicar por que a empresa mantém a confiança nessa estratégia. Segundo o NeoFeed, a Prio registrou receita total de US$ 1,6 bilhão, alta de 171% em relação ao mesmo período de 2025.
O Ebitda ajustado alcançou US$ 1,1 bilhão, com crescimento de 235%. Já o lucro líquido chegou a US$ 521 milhões, avanço de 468% na mesma base de comparação.
A produção média bateu recorde de 191,6 mil barris por dia, aumento de 117% na comparação anual. O volume vendido também foi recorde, com 17,2 milhões de barris.
Outro ponto relevante foi a queda do custo de extração, conhecido como lifting cost, que recuou 55% e ficou em US$ 7,9 por barril.
O que impulsionou o desempenho
De acordo com a reportagem, o avanço operacional foi puxado principalmente pelos campos de Wahoo, Frade e Peregrino. Além disso, a conclusão do reparo do gasoduto de Peregrino, em setembro, ajudou a reduzir o consumo de diesel na geração de energia do campo, com uso de gás natural.
Isso também contribuiu para a melhora ambiental da operação. No terceiro trimestre, a intensidade das emissões de gases de efeito estufa dos escopos 1 e 2 caiu 54% em relação ao mesmo período de 2025, para 17,7 quilos de CO2 equivalente por barril de óleo equivalente produzido.
Petróleo e transição energética: como a Prio se posiciona
A leitura da Prio é clara: a transição energética é necessária, mas não exige abandonar o petróleo no curto prazo. A companhia aposta que ainda há espaço para ampliar produção, melhorar eficiência e gerar valor dentro do seu core business.
Na prática, isso significa:
- manter o foco em campos maduros de petróleo;
- buscar ganhos operacionais;
- reduzir custos de extração;
- cortar emissões sempre que possível;
- devolver resultado aos acionistas.
A companhia não sinalizou planos de entrada em solar ou eólica. A escolha, portanto, é seguir como petroleira especializada, e não como empresa de energia diversificada.
O que observar daqui para frente
A estratégia da Prio ganha força justamente porque os resultados recentes mostram escala, rentabilidade e eficiência em alta. Ao mesmo tempo, o debate sobre transição energética segue no centro das discussões do setor.
Para investidores e analistas, a pergunta não é apenas se o petróleo continuará relevante, mas como empresas do setor vão capturar valor em um ambiente de mudança. No caso da Prio, a resposta dada até aqui é objetiva: a companhia prefere aprofundar sua atuação no petróleo em vez de abrir novas frentes.
Perguntas frequentes
A Prio vai investir em energia solar ou eólica?
Segundo o NeoFeed, não há plano da companhia para avançar para esses segmentos. A estratégia atual é seguir concentrada na produção de petróleo.
Por que a Prio não quer diversificar agora?
A empresa defende especialização. O CEO Roberto Monteiro afirmou que a companhia quer continuar produzindo petróleo e que produzir óleo não significa, necessariamente, atuar bem em eletricidade.
Os resultados da Prio justificam essa estratégia?
Os números do terceiro trimestre de 2026 mostram forte crescimento de receita, Ebitda, lucro líquido e produção, além de queda no custo de extração. Esses dados sustentam a tese de foco no negócio principal.
Conclusão
A Prio segue na contramão de parte do setor ao manter o petróleo como prioridade absoluta. A empresa não planeja entrar em solar ou eólica e aposta que sua especialização em óleo e gás, combinada com eficiência operacional e disciplina ambiental, é o melhor caminho para sustentar crescimento e retorno ao acionista.



