Ueno Bank no Paraguai derruba Santiago Peña
A intervenção no Ueno Bank desencadeou uma crise política e econômica no Paraguai e levou à renúncia de Santiago Peña. O caso também provocou protestos, prisões e pressão por impeachment.

Em resumo
No Paraguai, a crise do Ueno Bank levou à renúncia do presidente Santiago Peña em 5 de novembro de 2026. Segundo o NeoFeed, a intervenção do banco central, os problemas de solvência e as suspeitas de conflito de interesses ampliaram os protestos e a pressão política no país.
O Ueno Bank no Paraguai provocou uma crise política e econômica que culminou na renúncia do presidente Santiago Peña, em 5 de novembro de 2026. Segundo o portal NeoFeed, a intervenção do banco central paraguaio, após a identificação de problemas de solvência, deixou milhões de correntistas sem acesso aos recursos e ampliou a pressão sobre o governo.
O que aconteceu no Paraguai
A crise começou com a derrocada do Ueno Bank, instituição digital que cresceu rapidamente no país e acabou sob intervenção do banco central. O banco tinha quase 3 milhões de clientes e US$ 4,2 bilhões em ativos, de acordo com informações divulgadas pelo próprio Ueno em setembro. A operação foi paralisada depois que o regulador apontou fragilidades financeiras e determinou a intervenção.
O impacto foi imediato. Clientes ficaram sem acesso a aplicativos e cartões, o que travou parte da rotina financeira de famílias e empresas. A situação gerou protestos em Assumpção e em outras cidades do país, além de pedidos de punição aos responsáveis.
Por que Santiago Peña renunciou
Segundo o NeoFeed, a pressão sobre Santiago Peña aumentou por causa das antigas ligações societárias dele com o grupo controlador do banco e da forma como o governo reagiu à crise. Parlamentares apresentaram um pedido de impeachment por suposto conflito de interesses e por má gestão.
Peña foi acionista de um grupo que controlava o Ueno Bank e se desvinculou totalmente apenas em 2025. Sem apoio do próprio partido, o Colorado, ele anunciou a renúncia por vídeo nas redes sociais.
Em sua mensagem, o presidente afirmou: "Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República".
Como a crise bancária se espalhou
O caso do Ueno Bank não ficou restrito ao sistema financeiro. A crise atingiu o centro do poder político e abriu uma sequência de desdobramentos institucionais. A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos, a acusação contra Peña, deixando ao Senado a decisão sobre a continuidade do processo.
Além disso, o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, também apresentou sua renúncia, junto a outros diretores da autoridade monetária. Oito executivos ou ex-executivos do Ueno Bank foram presos preventivamente.
A intervenção ocorreu após o banco central afirmar que a solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo regulatório, depois de ajustes nos demonstrativos financeiros. Antes disso, o Ueno havia divulgado uma carta pública defendendo sua solidez e dizendo que encerrara junho com índice de capital regulatório de 14,5%, acima do mínimo exigido de 12%.
O tamanho do Ueno Bank e os sinais de alerta
O crescimento acelerado do Ueno Bank chamou atenção no Paraguai. O banco nasceu a partir da aquisição da Financiera El Comercio, fundada em 1976, e foi lançado em 2022 pelo Grupo Vázquez. Em 2023, virou banco e, no ano seguinte, incorporou o Visión Banco, ampliando sua presença no sistema financeiro.
A estratégia foi agressiva, com foco em digitalização, distribuição simplificada de cartões e benefícios comerciais, como descontos e cashback de até 40% em compras. Isso ajudou a instituição a alcançar quase 3 milhões de clientes, número que equivale a quase metade da população do Paraguai.
Mas, com o crescimento, vieram dúvidas sobre a qualidade da carteira de crédito, a exposição a empresas ligadas aos acionistas e a concentração de recursos públicos. Segundo o próprio banco, cerca de US$ 827 milhões dos depósitos vinham de instituições públicas, incluindo US$ 295 milhões do Instituto de Previsión Social e US$ 532 milhões de outras entidades públicas.
O que o banco central encontrou
De acordo com o NeoFeed, os questionamentos se intensificaram ao longo de 2026. Em abril, o banco central notificou formalmente o Ueno sobre operações que ultrapassavam os limites legais de crédito a empresas vinculadas. Dois meses depois, documentos internos da autoridade monetária obtidos pelo ABC Color apontavam problemas de solvência e dúvidas sobre a contabilização de determinados ativos.
Mesmo com os alertas, o banco seguiu operando até a intervenção. A medida paralisou aplicativos e cartões, deixando milhões de clientes sem acesso ao dinheiro depositado. O sistema de garantia de depósitos cobre até US$ 38 mil por cliente, mas ainda havia dúvidas sobre a recuperação total dos valores.
Semelhanças com o caso Banco Master
O NeoFeed observa que o escândalo no Paraguai guarda semelhanças com o caso do Banco Master, no Brasil, embora as instituições tenham dimensões diferentes e relevância distinta em seus mercados. Em ambos os episódios, houve crescimento rápido, suspeitas de irregularidades financeiras, presença de recursos públicos e conexão com o poder político.
Essa comparação ajuda a entender por que o caso ganhou tanta repercussão. Quando uma instituição financeira cresce de forma acelerada e concentra recursos sensíveis, qualquer sinal de fragilidade pode rapidamente se transformar em crise sistêmica.
Linha do tempo da crise do Ueno Bank
- Junho de 2025: a Associação de Bancos do Paraguai alerta para riscos ligados ao crescimento acelerado e à deterioração de indicadores financeiros.
- Abril de 2026: o banco central notifica o Ueno sobre operações acima dos limites legais com empresas vinculadas.
- Junho de 2026: documentos internos da autoridade monetária apontam problemas de solvência.
- Setembro de 2026: o Ueno publica carta defendendo sua solidez financeira.
- Novembro de 2026: o banco central intervém, a crise se amplia e Santiago Peña renuncia.
O que acontece agora
Com a renúncia de Peña, o Paraguai entrou em uma nova fase de instabilidade política. A decisão sobre a continuidade do processo de acusação ficou com o Senado, enquanto a situação do Ueno Bank segue sob intervenção e com correntistas tentando recuperar seus recursos.
O caso ainda deve produzir efeitos no debate político e regulatório do país, especialmente sobre a relação entre bancos, recursos públicos e influência política. Para o leitor, o ponto central é que a crise bancária deixou de ser apenas financeira e passou a redefinir a governabilidade paraguaia.
O Ueno Bank continua operando?
Não da forma normal. Segundo o NeoFeed, o banco foi colocado sob intervenção do banco central, o que paralisou aplicativos e cartões.
Por que a renúncia de Santiago Peña foi ligada ao banco?
Porque havia questionamentos sobre o vínculo anterior dele com o grupo controlador do Ueno Bank e sobre a resposta do governo à crise.
Os clientes vão perder todo o dinheiro?
O sistema de garantia de depósitos cobre até US$ 38 mil por cliente, mas ainda havia dúvidas sobre a recuperação total dos valores, segundo o NeoFeed.



