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GPA no 3º trimestre: receita cai e margem melhora

O GPA encerrou o terceiro trimestre com queda de receita e prejuízo maior, mas conseguiu melhorar a rentabilidade. A empresa segue focada na retomada das vendas e na execução do plano pós-recuperação extrajudicial.

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Fachada de unidade do GPA com destaque para o desempenho financeiro do trimestre
Foto: NeoFeed

Em resumo

Segundo o portal NeoFeed, o GPA reportou no terceiro trimestre queda de 9,6% na receita líquida, para R$ 4,1 bilhões, e prejuízo líquido de R$ 731 milhões, após a homologação da recuperação extrajudicial. A melhora veio na margem Ebitda, que subiu 2,7 pontos percentuais, enquanto a empresa tenta recuperar vendas e participação de mercado até 2027.

O GPA fechou o terceiro trimestre com queda de receita e prejuízo maior, mas conseguiu preservar a rentabilidade. Segundo o portal NeoFeed, a companhia registrou receita líquida de R$ 4,1 bilhões, recuo de 9,6% na comparação anual, enquanto a margem Ebitda avançou 2,7 pontos percentuais e ajudou a sustentar o resultado operacional.

O que aconteceu com o GPA no trimestre

A varejista divulgou que as vendas totais somaram R$ 4,6 bilhões, com queda de 6,5% em relação ao mesmo período de 2025. Já as vendas mesmas lojas, que consideram unidades abertas há mais de 12 meses, recuaram 1,4%.

No resultado final, o GPA reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 731 milhões, revertendo o lucro de R$ 137 milhões obtido um ano antes. Considerando apenas as operações continuadas, o prejuízo foi de R$ 220 milhões.

O desempenho reflete um período em que a companhia ainda ajusta o portfólio e reorganiza a operação após a homologação da recuperação extrajudicial. A prioridade, agora, é recuperar vendas e rentabilidade ao mesmo tempo.

Por que a receita caiu

De acordo com o NeoFeed, parte da queda de receita está ligada a decisões tomadas pela própria empresa. O GPA descontinuou operações e frentes consideradas menos rentáveis, como parte da estratégia para melhorar margens.

Entre os movimentos que pesaram no trimestre estão:

  • a descontinuidade do formato Aliados, canal de vendas para pequenos comerciantes;
  • o encerramento da parceria de fulfillment nos centros de distribuição;
  • a venda da Stix, empresa de fidelidade, à RD Saúde.

Esses ajustes devem continuar influenciando os números no curto prazo. Segundo o material de origem, o impacto residual pode aparecer ainda nos primeiros meses de 2027.

Margem ajudou a sustentar o resultado

Mesmo com a pressão sobre a receita, o GPA conseguiu avançar em rentabilidade. O Ebitda do trimestre foi de R$ 482 milhões, alta de 16,9% na comparação anual. A margem Ebitda chegou a 11,7%, avanço de 2,7 pontos percentuais.

A margem bruta também melhorou e atingiu 30,7%, aumento de 3,1 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre de 2025.

Segundo Alexandre Santoro, CEO do GPA, a empresa está executando um plano para melhorar a rentabilidade. Em declaração ao NeoFeed, ele afirmou: "Temos diversas ações muito bem mapeadas para acontecer em 2027 e 2028".

A melhora veio com cortes em despesas administrativas, revisão de ativos de logística, ajustes em legados tecnológicos e mudanças no sortimento.

O que a empresa quer fazer até 2027

O plano do GPA é recuperar as vendas mesmas lojas e voltar a crescer até 2027. A empresa também quer reconquistar participação de mercado, em um cenário de consumo ainda desafiador.

A estratégia inclui reposicionamento das bandeiras Extra e Pão de Açúcar, além de regionalização das operações e melhora da experiência de compra.

No Extra, que responde por mais de 30% da receita do grupo, a empresa quer reforçar o posicionamento de preço baixo. Já no Pão de Açúcar, a prioridade é melhorar a execução operacional, com atenção especial às categorias de perecíveis, apontadas como um diferencial competitivo.

Fornecedores, caixa e investimento

Outro ponto relevante é a normalização da relação com fornecedores. Durante o processo de recuperação extrajudicial, o GPA enfrentou aumento pontual nas rupturas de abastecimento, especialmente em abril e maio. Agora, segundo Alexandre Santoro, a situação está muito próxima do patamar anterior à RE.

No caixa, a empresa sentiu o efeito da maior alocação de recursos para preservar o abastecimento. O fluxo de caixa operacional, após variações de capital de giro e excluindo o efeito negativo da desconsolidação da Stix, somou R$ 683 milhões no acumulado de nove meses, queda de 49%.

A companhia também reduziu investimentos. No acumulado de nove meses, o capex ficou em R$ 226 milhões, recuo de 56% em relação ao ano anterior.

Endividamento e valor de mercado

O GPA encerrou o terceiro trimestre com alavancagem financeira de 3,7 vezes. Considerando os termos do plano da recuperação extrajudicial e a utilização dos recursos da venda da participação na FIC ao Itaú, a alavancagem chegaria a 1,2 vez.

No mercado, as ações do GPA fecharam o pregão com alta de 9,05%, a R$ 2,29. Ainda assim, no acumulado do ano, os papéis caem 42,1%, o que levou o valor de mercado da companhia a R$ 1,13 bilhão.

O que o investidor e o mercado devem observar

O caso do GPA mostra uma combinação comum em momentos de reestruturação: a empresa pode perder receita no curto prazo enquanto reorganiza operações, mas ganhar eficiência e margem ao mesmo tempo.

Para acompanhar a próxima fase, vale observar:

  • a evolução das vendas mesmas lojas;
  • o ritmo de recuperação da participação de mercado;
  • a continuidade da melhora de margem;
  • o impacto dos ajustes no portfólio;
  • a disciplina de capital e a trajetória do caixa.

O ponto central, neste momento, é que a empresa ainda não entrou em fase de retomada plena. A própria administração trabalha com uma janela mais longa para que a estratégia se traduza em crescimento consistente.

Perguntas frequentes sobre o resultado do GPA

O GPA teve prejuízo no terceiro trimestre?

Sim. A companhia registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 731 milhões, revertendo o lucro de R$ 137 milhões do mesmo período do ano anterior.

A margem do GPA melhorou mesmo com a queda de receita?

Sim. O Ebitda foi de R$ 482 milhões e a margem Ebitda subiu para 11,7%, alta de 2,7 pontos percentuais na comparação anual.

Quando o GPA espera voltar a crescer?

Segundo o CEO Alexandre Santoro, a meta é voltar a crescer as vendas mesmas lojas até 2027, de acordo com o plano informado ao NeoFeed.

Conclusão

O terceiro trimestre mostrou um GPA menor em receita, mas mais eficiente na operação. A empresa ainda enfrenta um período de transição após a recuperação extrajudicial, com ajustes de portfólio, pressão sobre o caixa e desafio de recuperar vendas. Ao mesmo tempo, a melhora de margem indica que a reestruturação começa a produzir efeito, ainda que a retomada completa deva levar tempo.