IA nas agências: impactos reais nos modelos de negócio
A sofisticação das ferramentas generativas está mudando a rotina das agências, focando em ganho de eficiência e valorização do pensamento estratégico.

Em resumo
A inteligência artificial redefine os modelos de atuação das agências ao automatizar tarefas operacionais e analisar grandes volumes de dados. Isso libera tempo para os times focarem em estratégia, criatividade e no relacionamento com o cliente, segundo lideranças do setor ouvidas pelo Meio e Mensagem.
A inteligência artificial deixou de ser uma tendência futura para se tornar a espinha dorsal da operação de muitas agências. De acordo com o portal Meio e Mensagem, a sofisticação e a democratização dessas ferramentas já redefinem os modelos de atuação no setor. A aplicação de ferramentas generativas permeia o dia a dia de profissionais da criação ao planejamento de mídia e mensuração, auxiliando no ganho de eficiência, na liberação de tempo para potencializar o trabalho dos times e na análise de grandes volumes de dados.
O ganho de eficiência como prioridade
O impacto mais imediato da IA nas agências é a otimização de fluxos de trabalho. As ferramentas permitem que tarefas repetitivas sejam automatizadas, o que reduz o tempo gasto em processos operacionais. Esse ganho de produtividade não visa apenas cortar custos, mas sim liberar os talentos humanos para atividades de maior valor, como a estratégia criativa e a resolução de problemas complexos do cliente.
Lideranças do setor apontam que o verdadeiro benefício não está apenas no uso da ferramenta em si, mas no redesenho dos fluxos de trabalho. Menos passagens de bastão e a formação de times multidisciplinares em torno de um problema específico são exemplos de como a tecnologia está integrando as áreas de criação, mídia e dados. O resultado é uma operação mais ágil e coesa, onde a tecnologia atua como um acelerador do processo decisório.
Casos de uso: da operação à estratégia
Diferentes agências brasileiras têm adotado abordagens variadas para integrar a IA em suas operações. A Artplan, por exemplo, concluiu a migração de sua operação para o Google Enterprise, potencializando o ecossistema do Workspace com IA integrada, automação de processos e agentes personalizados. Glaucia Montanha, CEO da Artplan, destaca que o objetivo é posicionar a IA no centro da operação para garantir tempo de qualidade focado no crescimento do negócio dos clientes. Além disso, o ganho financeiro e de produtividade obtido está sendo reinvestido na expansão de novas especialidades e negócios.
Na Euphoria Creative, o time de dados desenvolveu agentes de IA com funções específicas, como o agregamento de informações e a análise de resultados de campanhas anteriores. Marcelo Rizério, cofundador e CCO da agência, enfatiza que a IA é vista como uma ferramenta de apoio em diferentes etapas do trabalho, não apenas para execução visual. Ele alerta para a importância de aliar o uso da tecnologia ao critério humano, lembrando que "nem tudo precisa ser feito com IA, e saber quando utilizá-la também faz parte do nosso trabalho".
A Africa Creative foca em encurtar a distância entre a pergunta e a decisão. Ana Cester, CTDO da agência, explica que os usos mais eficazes são aqueles que otimizam o fluxo de informação. O próximo passo, segundo ela, é conectar os agentes utilizados por cada profissional, criando uma espécie de "segundo cérebro" que resolve tarefas operacionais entre si, trazendo propostas prontas para a decisão humana.
Novos modelos de negócio e tecnologia
A integração da IA também está impactando os modelos de remuneração e a estrutura de serviços das agências. Na Galeria, uma arquitetura operacional desenvolvida em parceria com a Adobe viabiliza as aplicações de IA. A agência conta com o Studio Galeria, um modelo de orquestração criativa que integra diferentes modelos de IA e aceleradores proprietários. Daniel Martins, head de operações e transformação da Galeria, pontua que essa evolução se reflete no modelo de negócio, com uma abordagem comercial "token-driven", mais flexível e orientada às necessidades de cada anunciante.
A AlmapBBDO opera de forma flexível e modular, com mais de 150 colaboradores dedicados ao desenvolvimento de produtos em um ecossistema integrado. A agência abriga uma área de martech e a AI Factory, focada em impulsionar soluções que proporcionem mais assertividade à operação. Rafaela Alves, COO da AlmapBBDO, comenta que a camada de tecnologia desenvolvida é aplicada de forma transversal, funcionando como um chassi da operação que toca todas as áreas, desde o planejamento e mídia até a gestão do negócio.
A importância do pensamento crítico
Embora a tecnologia avance rapidamente, o consenso entre as lideranças é que a IA não substitui o talento humano. Pelo contrário, ela exige um novo tipo de competência: a capacidade de discernir quando usar a automação e quando intervir com criatividade e estratégia. A democratização da IA significa que o diferencial competitivo deixa de ser apenas a execução técnica e passa a ser a qualidade do pensamento estratégico e a capacidade de curadoria de conteúdo e dados.
As agências estão se adaptando não apenas ao uso das ferramentas, mas à cultura de colaboração e experimentação. A capacitação contínua das equipes é fundamental para que os profissionais saibam aproveitar o potencial da tecnologia sem sacrificar a diferenciação que vem da criatividade humana. O desafio atual é integrar a IA de maneira que ela amplifique o trabalho dos times, em vez de simplesmente automatizá-lo.
A IA está substituindo funcionários nas agências?
Não. As informações indicam que a IA está sendo usada para automatizar tarefas operacionais e análise de dados, liberando os profissionais para focarem em estratégia, criatividade e na relação com o cliente. O foco é a potencialização do trabalho humano, não a substituição.
Quais ferramentas são mais utilizadas?
O material cita o uso do ecossistema Google Enterprise (Workspace), agentes de IA personalizados, parcerias com empresas de tecnologia como Adobe e o desenvolvimento de aceleradores proprietários. A escolha depende da necessidade específica de cada agência e cliente, com uma abordagem que varia de modelos modulares a integrações transversais.
Como as agências estão mudando sua remuneração?
Algumas agências, como a Galeria, estão adotando modelos de negócio mais flexíveis, como a abordagem "token-driven", que se orienta às necessidades específicas de cada anunciante. Isso reflete a evolução dos processos e a necessidade de alinhar o valor da tecnologia ao resultado gerado para o cliente.



