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IA na decisão de compra: 55% trocam marcas por recomendações

Novo levantamento mostra que a maioria dos consumidores brasileiros já usa assistentes virtuais para escolher produtos, mudando as regras do marketing.

4 min de leitura

Pessoa analisando recomendações de produtos em uma interface de assistente de inteligência artificial em um tablet.
Foto: Meio e Mensagem – Marketing, Mídia e Comunicação

Em resumo

Um estudo da Conversion e Opinion Box, publicado em 5 de novembro de 2026, indica que 55% dos brasileiros deixaram de comprar de marcas não recomendadas por IA. A pesquisa destaca o crescimento da GEO e a necessidade de visibilidade nas respostas de motores generativos.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de pesquisa para se tornar um agente ativo na escolha de produtos e serviços. Segundo um levantamento da Conversion em parceria com a Opinion Box, citado pelo portal Meio e Mensagem, 55% dos consumidores brasileiros já abandonaram uma compra porque a marca não foi recomendada por ferramentas de IA. Este dado marca uma virada no comportamento de consumo, onde a visibilidade nas respostas automáticas passa a valer mais do que o tráfego tradicional de busca.

O estudo, intitulado "Jornada de compra na era da IA", ouviu 1.121 consumidores que utilizam essas tecnologias e 365 profissionais que as aplicam no trabalho. Os resultados revelam que a influência da IA vai além da simples busca por informações. Entre aqueles que pediram recomendações de produtos, 79% afirmam que a tecnologia foi decisiva para resolver dúvidas sobre o que comprar. Além disso, 69% dos entrevistados mudaram de opinião sobre uma marca ou produto após receberem uma indicação automatizada.

A nova jornada do consumidor

A mudança é perceptível na forma como o público pesquisa. As visões gerais produzidas por IA no Google já foram vistas por 89% dos entrevistados. Para 28% deles, esse resumo é suficiente para encerrar a pesquisa, eliminando a necessidade de acessar outros resultados. No entanto, isso não significa o abandono total dos buscadores tradicionais.

Os dados mostram um comportamento híbrido:

  • 33% leem o resumo gerado pela IA e depois consultam os links;
  • 19% preferem aprofundar a conversa com a ferramenta;
  • 14% acessam as fontes indicadas diretamente.

A avaliação desse recurso é positiva para 80% dos entrevistados, e 66% confiam, ao menos parcialmente, nas informações apresentadas. A confiança, porém, traz uma exigência: a checagem. Quando uma IA recomenda uma marca desconhecida, 83% dos consumidores procuram outras informações antes de decidir. Os canais preferidos para essa verificação são o Google (59%), o Reclame Aqui (46%) e o site oficial da empresa (42%).

O impacto no marketing e na GEO

Para as empresas, a transformação no comportamento do consumidor exige uma revisão estratégica. A otimização para mecanismos generativos, conhecida como GEO (Generative Engine Optimization), ganha destaque. Segundo o estudo, 56% dos profissionais apontam a adaptação de sites e dados para que suas empresas sejam citadas pelas ferramentas de IA como a principal estratégia. Em contraponto, apenas 3% pretendem reforçar investimentos em anúncios pagos.

Outro ponto crítico é a publicidade dentro das conversas com IA. Entre os consumidores, 41% não gostam desse formato. Para aqueles que aceitam, a relevância das recomendações (27%) e a frequência de exibição (20%) são os fatores mais importantes. Apesar das resistências, os investimentos corporativos devem crescer: cerca de 77% dos profissionais esperam ampliar os gastos com ferramentas e treinamentos de IA nos próximos dois anos.

Desafios de confiança e segurança

O receio de fraudes permanece. 39% dos consumidores temem que a IA indique sites falsos ou golpistas. Outros 36% apontam resultados pouco confiáveis, e 34% mencionam informações incorretas. Esses números sinalizam que a transparência e a precisão dos dados corporativos serão vitais para manter a credibilidade nas plataformas de IA.

A pesquisa indica que a disputa pelo espaço na decisão de compra está se deslocando do resultado azul do buscador para a caixa de resposta instantânea. Empresas que não adaptarem sua presença digital para essa nova realidade correm o risco de invisibilidade, conforme alertam os 61% dos profissionais que preveem uma migração massiva da navegação tradicional para as perguntas diretas a assistentes de IA.

Perguntas frequentes

A IA substitui completamente o Google na busca por produtos?

Não. Embora 89% dos entrevistados vejam resumos de IA, 33% ainda consultam links após ler o resumo. O comportamento é híbrido, combinando a resposta rápida da IA com a verificação em fontes tradicionais.

O que é GEO e por que é importante agora?

GEO (Generative Engine Optimization) é a adaptação de conteúdo e dados para que uma marca seja recomendada por engines de IA. É importante porque 56% dos profissionais a consideram a principal estratégia para garantir visibilidade na nova era de buscas.

Os consumidores confiam totalmente nas recomendações de IA?

Parcialmente. 80% avaliam o recurso positivamente, mas 83% verificam a informação em outros canais quando a marca é desconhecida. A confiança existe, mas vem acompanhada de uma checagem ativa.