Publicidade

eSports feminino depende das marcas para crescer

A sustentação do cenário competitivo feminino nos games passa pelo investimento das marcas. Sem apoio consistente, ligas, times e projetos inclusivos perdem força.

6 min de leitura

Torneio de eSports feminino com jogadoras em palco principal e público ao fundo
Foto: Meio e Mensagem – Marketing, Mídia e Comunicação

Em resumo

O futuro do eSports feminino depende das marcas porque elas financiam ligas, times e visibilidade. Segundo o Meio e Mensagem, o cenário ganhou força entre 2019 e 2023, mas perdeu investimento depois de 2023, o que levou ao encerramento de torneios e equipes. A continuidade exige estratégia e apoio consistente.

O futuro do eSports feminino depende das marcas porque são elas que ajudam a sustentar ligas, times e projetos de visibilidade em um mercado ainda desigual. Segundo o portal Meio e Mensagem, a falta de investimento consistente levou ao encerramento de campeonatos e à descontinuação de elencos, mesmo em um setor que movimentou mais de US$ 200 bilhões em 2025, de acordo com a Newzoo.

O que aconteceu com o cenário feminino nos games

Um dos marcos recentes do eSports feminino foi a final da ESL Impact Season 7, campeonato feminino de Counter-Strike, disputada em maio de 2025 no palco principal do IEM Dallas, em Dallas, nos Estados Unidos. Na ocasião, a Furia Fe venceu e se tornou a primeira equipe brasileira feminina campeã mundial do jogo.

Apesar do feito, a competição foi encerrada meses depois, ao final de 2025, logo após a temporada seguinte, a Season 8. O caso ajuda a explicar por que a presença feminina nos games ainda depende tanto de apoio comercial para se manter ativa.

Por que as marcas são decisivas

O ponto central, de acordo com a reportagem do Meio e Mensagem, é que o mercado de games pode ser grande, mas isso não significa que todos os recortes recebam o mesmo investimento. O estudo “Women in eSports: The 2026 Statistics and Trends” aponta que cerca de 50% de quem joga são mulheres, mas elas representam aproximadamente 5% nos jogos eletrônicos, seja como jogadoras ou empregadas.

Essa diferença mostra que o problema não é de interesse do público, mas de estrutura, prioridade e financiamento. Quando as marcas entram no cenário com estratégia, elas ajudam a criar continuidade. Quando o apoio some, os projetos ficam mais vulneráveis.

Lara “goddess” Baceiredo, ex-jogadora profissional de Counter-Strike e atual gerente de performance da MIBR, lembra que, em 2017, poucas marcas apoiavam de fato o cenário inclusivo. Já Nicolle Merhy, a Cherrygumms, CEO da Black Dragons, afirma que o período entre 2019 e 2023 foi o mais forte para as mulheres no setor, impulsionado também pela pandemia e por pautas sociais em ascensão.

O ciclo de investimento e retração

Segundo o Meio e Mensagem, o cenário passou por uma fase de investimento massivo, mas sem a mesma maturidade estratégica em todos os casos. Roberta Coelho, ex-CEO e atual conselheira do MIBR, avalia que muitas marcas entraram nos games durante a pandemia porque era o entretenimento do momento, mas sem aprofundar o entendimento sobre a comunidade.

A consequência veio a partir de 2023, quando o ritmo de aportes mudou. De acordo com a reportagem, houve casos de campanhas bonitas visualmente, mas pouco estratégicas, o que reduziu o retorno percebido por parte das empresas. Com isso, algumas passaram a recuar e a exigir comprovação de resultado antes de seguir investindo.

Esse movimento afetou diretamente projetos de diversidade. Torneios foram cancelados e times inclusivos foram descontinuados. A própria matéria cita a queda de investimento como um dos principais fatores para a retirada de apoio de iniciativas femininas e inclusivas.

O impacto no Brasil e no exterior

O efeito da retração não ficou restrito ao cenário internacional. No Brasil, a reportagem registra a saída de organizações de modalidades femininas: a Loud deixou o Valorant inclusivo, a Fluxo saiu do CS feminino e a Black Dragons se afastou dos cenários femininos de Valorant e CS.

Ao mesmo tempo, algumas equipes seguiram ativas. A Team Liquid e o MIBR permaneceram no Game Changers de Valorant, enquanto o MIBR também manteve seu time feminino de CS. A Furia continuou no CS feminino até 2026, quando migrou seu elenco para o Valorant e o circuito Game Changers.

Fora do Brasil, a CCS Women’s League, liga feminina de Rainbow Six Siege do Reino Unido e dos Estados Unidos, encerrou em 2024 por falta de financiamento. O caso reforça que a dificuldade de sustentação é global, não local.

O que as atletas e gestoras defendem

A principal cobrança de lideranças do setor é que as marcas deixem de tratar o eSports feminino como algo lateral ou pontual. Nicolle Merhy afirma que existe uma proposta em andamento para o retorno da Black Dragons ao cenário inclusivo, mas destaca que os times femininos precisam parar de ser vistos como “projetos especiais”.

A fala resume um problema recorrente: quando o recorte feminino é tratado como exceção, a verba tende a ser menor, o alcance é visto como reduzido e a continuidade fica em risco. Na prática, isso limita a construção de um ecossistema duradouro.

Outro ponto importante é que o apoio precisa ir além da exposição de marca. O setor demanda planejamento, entendimento da comunidade e visão de longo prazo. Sem isso, o investimento pode até gerar visibilidade momentânea, mas não estrutura o cenário para crescer.

Existe um modelo que funciona

A reportagem destaca o Game Changers como uma exceção que deu certo. Criado em 2021 como um projeto paralelo ao Valorant Champions Tour, o circuito foi pensado para inclusão e diversidade, do nível amador ao profissional.

O campeonato mundial do Game Changers distribuiu um prêmio total de US$ 500 mil para os times vencedores, sendo US$ 180 mil para o campeão. A iniciativa nasceu para dar oportunidade e visibilidade a grupos sub-representados no universo do eSports.

Esse exemplo mostra que, quando há estrutura, calendário e incentivo, o cenário responde. O modelo não resolve sozinho todas as desigualdades, mas ajuda a criar uma base mais sólida para jogadoras, equipes e organizações.

O que isso significa para o mercado

Para as marcas, o recado é direto: apoiar o eSports feminino não deve ser visto apenas como ação pontual de imagem. O setor precisa de presença contínua, estratégia e compromisso com a comunidade.

Na prática, isso envolve:

  • investir em ligas e times com planejamento de longo prazo;
  • entender a cultura do público gamer antes de ativar campanhas;
  • evitar ações sem conexão real com a comunidade;
  • medir resultados além da visibilidade imediata;
  • tratar a diversidade como parte do negócio, e não como exceção.

O caso relatado pelo Meio e Mensagem mostra que o crescimento do eSports feminino não depende apenas do talento das atletas. Ele também depende de quem financia, organiza e acredita na permanência desses projetos.

Perguntas frequentes sobre eSports feminino e marcas

Por que o eSports feminino depende das marcas?

Porque as marcas ajudam a financiar ligas, equipes e ações de visibilidade. Sem esse apoio, muitos projetos não conseguem se manter por muito tempo.

O cenário feminino cresceu em algum momento recente?

Sim. Segundo a reportagem, o período de 2019 a 2023 foi o mais forte para as mulheres no setor, com mais entrada de marcas e maior atenção ao tema.

Existe um exemplo de projeto que funciona?

Sim. O Game Changers, circuito paralelo ao Valorant Champions Tour, é citado como uma iniciativa estruturada para inclusão e diversidade, com premiação e calendário próprios.

O futuro do eSports feminino, portanto, passa menos por ações isoladas e mais por compromisso contínuo. Quando as marcas entendem isso, o cenário ganha chance real de se consolidar.