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Canva reforma empresa para conter custos de IA

A Canva está fazendo sua maior reorganização desde 2013 para ajustar estrutura, reduzir camadas e lidar com a pressão dos custos de IA. A mudança afeta 22% da equipe e marca uma nova fase da empresa.

6 min de leitura

Equipe da Canva em reorganização para reduzir custos e ajustar a operação de IA
Foto: B9

Em resumo

A Canva anunciou em 4 de novembro de 2026 uma grande reorganização que afeta 1.271 pessoas, ou 22% da equipe, segundo o B9. A empresa quer simplificar a estrutura, concentrar mais operações em Sydney e conter a pressão dos custos de IA, que cresceram com a alta demanda por seus novos recursos.

A Canva está reformulando sua estrutura para lidar com o crescimento desacelerado e com a pressão dos custos de inteligência artificial. Segundo o portal B9, a empresa anunciou em 4 de novembro de 2026 sua maior reorganização desde a fundação, em 2013, com impacto sobre 1.271 pessoas, o equivalente a 22% da equipe.

A mudança não significa, necessariamente, 1.271 demissões. Parte dos funcionários será desligada, outra parte terá funções alteradas e alguns poderão ser transferidos para hubs onde a empresa quer concentrar equipes. A companhia não informou quantos deixarão efetivamente a empresa, mas deixou claro que a reestruturação é ampla e inédita.

O que motivou a reorganização

Em carta aos funcionários, a cofundadora e CEO Melanie Perkins chamou 2026 de “o ano mais difícil” da história da Canva. De acordo com o B9, ela reconheceu que o crescimento da empresa desacelerou pela primeira vez em uma década.

A resposta da companhia é uma tentativa de voltar a uma lógica mais enxuta, com menos camadas hierárquicas, menos especializações muito estreitas e mais responsabilidade concentrada em equipes menores. A ideia é aproximar a operação do ritmo de uma startup, mesmo com a empresa atuando em 37 países e atendendo centenas de milhões de pessoas.

Como a Canva vai mudar a estrutura

A reorganização mexe diretamente na forma como a empresa distribui suas equipes. As áreas de Produto, Growth e Plataforma serão reunidas em uma única organização de Produto. Além disso, a empresa quer reduzir níveis hierárquicos e simplificar a divisão de responsabilidades.

Segundo a própria comunicação citada pelo B9, a intenção é que os times passem mais tempo construindo e menos tempo navegando pela forma como o trabalho é organizado. Na prática, isso significa menos fragmentação e mais autonomia para grupos menores executarem projetos do início ao fim.

Outro ponto importante é a concentração geográfica. Sydney, cidade onde a Canva nasceu, deve abrigar mais equipes de produto e outras funções consideradas estratégicas para colaboração presencial. Funcionários fora desses centros poderão ter a opção de se mudar.

A partir de janeiro, a expectativa é que a maioria dos trabalhadores híbridos passe dois a três dias por semana no escritório.

A conta da IA ficou mais difícil

A reorganização acontece em um momento sensível para o principal investimento tecnológico da empresa. O B9 lembra que, em abril, a Canva lançou o Canva IA 2.0, sistema capaz de transformar um briefing em campanhas, designs editáveis e conteúdos para múltiplos formatos.

A proposta era ampliar o papel da plataforma, que deixaria de ser apenas uma ferramenta de design para se tornar uma plataforma de trabalho criativo movida por agentes. O problema, porém, é econômico: cada tarefa executada por sistemas de IA custa dinheiro para ser processada.

Diferente do software tradicional, em que o custo de atender mais um usuário tende a ser baixo, a IA generativa exige capacidade computacional a cada pedido de imagem, vídeo ou campanha. Por isso, a Canva reduziu sua expectativa de crescimento de receita para 2026 de 30% para 20%, segundo o portal B9.

A justificativa foi simples: o custo médio para executar tarefas de IA ainda estava alto demais para liberar os recursos em escala sem pressionar a economia do negócio.

O paradoxo da popularidade

A situação cria um dilema que muitas empresas de tecnologia também enfrentam: quanto mais sucesso um recurso de IA faz, mais caro ele pode ficar para a operação.

Segundo o B9, a Canva afirma ter reduzido em cerca de 90% o custo por tarefa desde o lançamento do Canva IA 2.0. No fim de outubro, a empresa apresentou o Canva Brush, modelo próprio de visão e linguagem para design, que teria reduzido novamente o custo por tarefa em 46% em comparação com o agente anterior.

A estratégia de desenvolver modelos próprios ajuda a diminuir a dependência de sistemas externos e a pagar menos por solicitação. Ainda assim, a demanda continua crescendo. No fim de 2025, a plataforma tinha mais de 265 milhões de usuários mensais, dos quais mais de 31 milhões eram pagantes.

Com uma base tão grande usando geração e edição por IA, pequenas variações no custo por tarefa passam a ter impacto relevante no resultado.

Marca forte por fora, ajuste duro por dentro

A reorganização também chega em um momento de comunicação ambicioso. Segundo o B9, cinco dias antes a Canva havia lançado sua primeira grande campanha de marca na América do Norte, com a pergunta “What Will You Canva Today?”. A campanha busca ampliar a percepção do público sobre a plataforma, mostrando que ela vai além de uma ou duas tarefas de design.

O contraste é claro: enquanto a marca quer estimular mais uso e mais frequência, a empresa precisa reorganizar sua estrutura para sustentar esse crescimento com uma operação mais eficiente. É uma tentativa de alinhar ambição de produto e viabilidade financeira.

O pacote oferecido a quem sair

Para os funcionários que deixarem a empresa, a Canva anunciou um pacote de desligamento considerado incomum no setor, segundo o B9. A companhia vai oferecer pelo menos seis meses de salário, independentemente do país.

Onde houver cobertura de saúde oferecida pela empresa, ela será mantida por 12 meses, assim como o programa de apoio psicológico. Também haverá coaching de carreira, preparação para entrevistas, um ano de LinkedIn Premium e a possibilidade de ficar com o MacBook corporativo.

Além disso, funcionários que quiserem abrir uma empresa ou iniciar um projeto comunitário poderão se candidatar a US$ 10 mil do novo Canva Collective Fund, sem que a companhia fique com participação no negócio.

O que observar daqui para frente

A principal leitura dessa mudança é que a Canva está tentando resolver dois problemas ao mesmo tempo: adaptar sua estrutura a uma fase menos acelerada e ajustar a operação para que a IA continue crescendo sem comprometer a conta.

O movimento mostra que a empresa quer continuar expandindo o uso de seus recursos de IA, mas com uma base operacional diferente da que sustentou sua fase de crescimento mais rápido. Em outras palavras, a Canva não está apenas cortando custos, ela está redesenhando a forma como quer funcionar daqui em diante.

Perguntas frequentes

Por que a Canva está passando por essa reorganização?

A empresa diz que o crescimento desacelerou pela primeira vez em uma década e que os custos de IA pressionam o modelo de negócio, segundo o B9.

Quantas pessoas serão afetadas?

A reorganização afeta 1.271 pessoas, o equivalente a 22% da equipe. Isso não significa que todas serão demitidas.

O que muda na operação da Canva?

As áreas de Produto, Growth e Plataforma serão unificadas, a empresa quer reduzir camadas hierárquicas e concentrar mais equipes em Sydney.