Tecnologia

Nasdaq 100 perde US$ 2,5 trilhões após vitória democrata

A vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos intensificou a pressão sobre ações de tecnologia e derrubou o Nasdaq 100. Segundo o portal Olhar Digital, o mercado teme mais resistência à expansão de data centers de inteligência artificial.

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Painel de bolsa com queda do Nasdaq 100 e ações de tecnologia em baixa
Foto: Olhar Digital

Em resumo

Após a vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o Nasdaq 100 perdeu US$ 2,5 trilhões em valor de mercado, segundo o portal Olhar Digital. O movimento refletiu o temor de mais resistência política à expansão de data centers de IA, além de dúvidas sobre energia, financiamento e ritmo de novas obras.

O Nasdaq 100 perdeu US$ 2,5 trilhões em valor de mercado após a vitória expressiva do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, segundo o portal Olhar Digital. A queda refletiu a venda de ações ligadas à inteligência artificial, o aumento das dúvidas sobre a expansão de data centers e o receio de que o novo cenário político dificulte projetos de infraestrutura para IA.

O que aconteceu com o Nasdaq 100

No pregão analisado, o Nasdaq 100 recuou 6,4%, enquanto o Nasdaq Composite caiu 5,5%. A perda acumulada chegou a quase 12% desde o recorde de fechamento de 6 de outubro, o que levou o primeiro índice ao território de correção, expressão usada quando a queda supera 10% em relação ao pico recente.

O movimento veio em meio a uma forte onda de vendas liderada por ações de tecnologia. De acordo com o Olhar Digital, investidores retiraram US$ 2,5 trilhões do índice durante a sessão, em uma reação que combinou preocupação com política, regulação e custos de expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

Por que a vitória democrata mexeu com o mercado

A leitura do mercado foi de que a vitória democrata pode aumentar a resistência à expansão de data centers nos Estados Unidos. O receio não se limita à regulação federal. A conquista de vários governos estaduais pelos democratas também ampliou as preocupações com a resistência local à construção de novas instalações.

Segundo o portal de origem, os projetos enfrentam questionamentos ligados ao consumo de energia e água, além da pressão sobre os sistemas de abastecimento. Esse cenário elevou a percepção de risco para empresas que dependem de obras rápidas e de grande escala para sustentar o avanço da inteligência artificial.

Em outras palavras, o mercado passou a precificar não apenas o potencial de crescimento da IA, mas também os obstáculos para transformar esse potencial em infraestrutura real.

O impacto sobre data centers de IA

Um dos pontos mais sensíveis da reportagem é a estimativa de analistas do UBS de que cerca de 30% da capacidade adicional de data centers prevista para os Estados Unidos em 2028 pode ficar ameaçada por possíveis interrupções nas construções.

Essa projeção ajuda a explicar por que as ações de empresas ligadas à cadeia de IA foram as mais afetadas. O temor é que gargalos políticos e operacionais atrasem projetos, aumentem custos e reduzam o retorno esperado de investimentos bilionários no setor.

Além disso, o mercado também passou a questionar o ritmo de expansão de empresas que oferecem infraestrutura de computação para aplicações de IA, especialmente as chamadas neoclouds.

Quem mais perdeu valor no pregão

A pressão atingiu fabricantes de chips e companhias de nuvem e infraestrutura. Entre os destaques negativos citados pelo Olhar Digital, estiveram:

  • Nvidia e AMD, com quedas de 9% e 17%, respectivamente;
  • CoreWeave e Nebius, com recuos de 10% e 15%;
  • Applied Digital, Cipher Digital e IREN, com perdas superiores a 14% cada.

O índice Philadelphia Semiconductor caiu 12% e alcançou o menor nível em mais de seis meses. Isso mostra que a desvalorização não ficou restrita a uma empresa ou a um nicho específico, mas atingiu uma parte relevante da cadeia de tecnologia associada à IA.

O efeito nas gigantes de tecnologia

Mesmo companhias que vinham resistindo melhor à onda de vendas também sentiram o impacto. Segundo o portal Olhar Digital, Amazon e Alphabet caíram 2,2% cada, enquanto a Microsoft recuou 3,6%.

O movimento também se espalhou para empresas de energia e fornecedoras de equipamentos. A GE Vernova perdeu 7,4%, e a Constellation Energy caiu 2,5%.

Esse comportamento reforça a leitura de que a correção não atingiu apenas as empresas mais expostas aos data centers, mas toda a cadeia que depende da expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

O que diz o mercado sobre o momento da IA

A reportagem destaca uma fala de Ted Parkhill, fundador e CEO da Incline Investment Management, que resumiu o sentimento dos investidores com a frase: “o mercado está passando da promessa da IA para o preço da IA”.

A expressão ajuda a entender a mudança de tom. Até aqui, boa parte da valorização de empresas de tecnologia vinha da expectativa sobre o crescimento futuro da inteligência artificial. Com o aumento das dúvidas sobre energia, regulação e financiamento, o mercado passou a olhar com mais cautela para a viabilidade econômica desses projetos.

Outro sinal de tensão foi a alta do VIX, indicador que mede a volatilidade esperada do mercado, que registrou sua maior alta desde dezembro de 2024.

Efeitos fora dos Estados Unidos

A turbulência também chegou à Ásia. Segundo o Olhar Digital, o Nikkei, do Japão, e o Kospi, da Coreia do Sul, caíram após acumularem valorizações superiores a 20% no ano.

Isso mostra que o movimento não foi isolado. A correção em ativos ligados à tecnologia e à inteligência artificial teve reflexo global, especialmente em bolsas que vinham acumulando forte valorização ao longo do ano.

O que observar daqui para frente

Para investidores e empresas do setor, os próximos passos dependem de três fatores principais:

  • o grau de resistência política à construção de novos data centers;
  • a disponibilidade de energia e água para sustentar a expansão;
  • o acesso a financiamento para empresas menores da cadeia de IA.

A reportagem do Olhar Digital também aponta que a turbulência levantou dúvidas sobre o calendário da oferta pública inicial de ações da Anthropic, esperada para o outono do hemisfério norte. Além disso, a Bloomberg News informou que a Microsoft está reforçando a supervisão de alguns projetos de data centers ligados à Nebius, à IREN e à Nscale.

Perguntas frequentes

Por que o Nasdaq 100 caiu tanto?

O índice caiu após a vitória democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, em meio a uma onda de vendas de ações de tecnologia e ao temor de mais resistência à expansão de data centers de IA.

O que mais preocupou os investidores?

Além da política, o mercado passou a olhar com mais atenção para gargalos de energia, consumo de água, pressão sobre abastecimento e possíveis atrasos em obras de infraestrutura para inteligência artificial.

Quais setores foram mais afetados?

As maiores perdas atingiram fabricantes de chips, empresas de nuvem e infraestrutura de IA, além de companhias de energia e fornecedoras de equipamentos.

A queda do Nasdaq 100 mostra que o mercado de inteligência artificial entrou em uma fase mais sensível, em que expectativa de crescimento e risco operacional passam a pesar ao mesmo tempo. O resultado foi uma forte correção nas ações de tecnologia e uma revisão das apostas sobre a velocidade de expansão dos data centers nos Estados Unidos.