Jordan na Foot Locker: impacto nas vendas e no varejo
A redução dos lançamentos de retrôs da Jordan pode abrir uma lacuna relevante na Foot Locker, segundo analistas. O efeito pode aparecer a partir de 2027 se a rede não encontrar substitutos de volume.

Em resumo
A Foot Locker pode sentir o impacto da redução dos retrôs da Jordan a partir da primavera norte-americana de 2027, segundo o portal Central do Varejo. A marca responde por cerca de 25% da receita da rede, e analistas estimam uma possível perda de até US$ 550 milhões em vendas caso a varejista não substitua esse volume.
A Jordan responde por cerca de 25% da receita da Foot Locker, e a redução dos lançamentos de retrôs pode abrir uma lacuna relevante nas vendas da rede a partir de 2027, segundo o portal Central do Varejo. O alerta vem após a Nike informar queda na receita da marca e sinalizar que vai diminuir o volume e a frequência desses lançamentos.
O que está acontecendo com a Jordan e a Foot Locker
A pressão sobre a Foot Locker começou a crescer depois que a Nike informou, na divulgação do primeiro trimestre fiscal de 2027, em 1º de outubro, que a receita da Jordan recuou na casa dos 15%. Na mesma ocasião, o CEO Elliott Hill disse que a empresa vinha oferecendo produtos retrô em excesso e que passaria a reduzir o volume e a frequência dos lançamentos.
Para a Foot Locker, isso importa porque a Jordan é uma das marcas mais relevantes dentro do seu mix. Segundo estimativa do BNP Paribas citada pelo Central do Varejo, a marca representa cerca de um quarto da receita da varejista de calçados esportivos dos Estados Unidos.
Por que os analistas estão preocupados
O ponto central da preocupação não é apenas a queda da Jordan, mas a dificuldade de substituir esse faturamento com outras marcas. O analista Laurent Vasilescu, do BNP Paribas, escreveu na segunda-feira (26) que, se a Jordan cair 30% no ano que vem, a Dick’s, controladora da Foot Locker, terá uma lacuna importante na operação.
Segundo o portal Central do Varejo, Vasilescu avalia que outras marcas não preencheriam esse espaço com facilidade por causa da diferença no preço médio de venda. A projeção dele é de uma perda de cerca de US$ 550 milhões em vendas a partir da primavera norte-americana de 2027, caso a rede não encontre substitutos para o volume da Jordan.
A conta faz sentido dentro do peso atual da marca na operação. A Foot Locker é apontada como a maior parceira de atacado da Jordan, com cerca de US$ 1,85 bilhão em vendas da marca, de acordo com o analista. Pelo cálculo citado pelo veículo, uma queda de 30% nesse volume equivale a cerca de US$ 555 milhões.
Quais marcas podem ocupar o espaço deixado pela Jordan
No cenário desenhado por Vasilescu, marcas como Vans e New Balance poderiam ganhar espaço. Ainda assim, o analista observa que isso exigiria mais volume, já que esses produtos costumam ter preços menores.
Esse detalhe é importante para entender o desafio da Foot Locker. Não basta apenas trocar uma marca por outra, é preciso recompor receita em um sortimento com dinâmica diferente de preço e giro.
O que dizem as projeções para 2027
Outro sinal de cautela vem de Kelly Crago, do BMO Capital Markets. Segundo o Central do Varejo, ela estima que o corte na Jordan terá impacto de 250 a 550 pontos-base nas vendas comparáveis da Foot Locker no ano fiscal de 2027, o equivalente a 2,5 a 5,5 pontos percentuais.
Crago também demonstra cautela quanto à capacidade da rede de registrar vendas comparáveis positivas no período. Esse tipo de projeção é relevante porque mostra que o problema não está restrito a uma marca específica, mas pode afetar o desempenho geral da operação.
O que já aconteceu com as vendas da Foot Locker
No segundo trimestre, as vendas comparáveis da Foot Locker caíram 3,6%, segundo a Dick’s. Em agosto, a controladora reduziu a projeção anual da rede, que passou a ser de vendas comparáveis estáveis ou queda de até 2%, ante alta de até 3% na estimativa anterior.
Ou seja, o cenário já vinha se deteriorando antes mesmo do impacto total da redução dos retrôs da Jordan. A mudança na projeção ajuda a explicar por que o mercado passou a olhar com mais atenção para a composição do portfólio da varejista.
A estratégia da Dick’s para a Foot Locker
Além da pressão sobre vendas, Crago avalia que a Dick’s pode precisar rever a estrutura de custos da Foot Locker. Entre as hipóteses citadas estão fechar a operação europeia, vender a WSS ou encerrar a Champs.
O próprio texto do Central do Varejo destaca que a operação europeia responde por cerca de 20% das vendas e pesa cerca de US$ 115 milhões na rentabilidade. Isso mostra que a discussão sobre a Foot Locker não é apenas sobre crescimento, mas também sobre eficiência operacional e prioridade de ativos.
O que esse caso mostra sobre o varejo esportivo
O caso da Foot Locker ilustra como uma única marca pode concentrar uma fatia relevante da receita de uma varejista especializada. Quando essa marca muda de estratégia, o efeito pode se espalhar para vendas, margem e projeções futuras.
Também fica evidente a importância do mix de produtos no varejo esportivo. Se a marca principal reduz oferta, a substituição nem sempre acontece de forma linear, porque preço, demanda e comportamento do consumidor nem sempre caminham juntos.
Resumo dos principais pontos
- A Jordan responde por cerca de 25% da receita da Foot Locker, segundo estimativa citada pelo Central do Varejo.
- A Nike informou queda na receita da Jordan na casa dos 15% no primeiro trimestre fiscal de 2027.
- O CEO Elliott Hill afirmou que a empresa reduzirá o volume e a frequência de lançamentos retrô.
- O BNP Paribas estima perda de cerca de US$ 550 milhões em vendas a partir da primavera norte-americana de 2027, se a rede não substituir o volume da marca.
- A Foot Locker já teve queda de 3,6% nas vendas comparáveis no segundo trimestre.
- A controladora reduziu a projeção anual da rede para vendas comparáveis estáveis ou queda de até 2%.
Perguntas frequentes
Por que a Jordan é tão importante para a Foot Locker?
Porque, segundo estimativa citada pelo Central do Varejo, a marca responde por cerca de 25% da receita da rede, o que a torna uma das principais alavancas de vendas da operação.
Quando o impacto pode aparecer?
A projeção mencionada pelos analistas aponta risco de perda de vendas a partir da primavera norte-americana de 2027, caso a rede não substitua o volume da Jordan.
Quais são os riscos para a Foot Locker além das vendas?
Além da pressão sobre receita, analistas citados pelo portal avaliam que a Dick’s pode precisar rever a estrutura de custos da Foot Locker, com possíveis mudanças em operações como Europa, WSS e Champs.
O que acompanhar daqui para frente
Para quem acompanha varejo esportivo, os próximos passos da Nike e da Dick’s serão decisivos. O mercado quer entender se outras marcas conseguirão absorver parte da demanda e se a Foot Locker conseguirá proteger suas vendas comparáveis em 2027.
Enquanto isso, o caso reforça uma lição clássica do setor: quando uma marca concentra peso demais no faturamento, qualquer mudança de estratégia pode virar um problema relevante para toda a rede.



