IA no varejo: só 10% começam a busca
Só 10% dos consumidores americanos começam a busca de produtos com inteligência artificial, segundo a AlixPartners. O dado mostra que a adoção ainda é limitada, mas já pressiona varejistas a organizarem melhor seus catálogos.

Em resumo
Segundo a AlixPartners, apenas 10% dos consumidores americanos começam a busca de produtos com IA, com adesão de 14% entre Gen Z e millennials. O estudo indica que a qualidade dos dados de produto será decisiva para a visibilidade das marcas, especialmente em compras de reposição e comparação de preços.
A IA no varejo ainda não virou ponto de partida para a maioria dos consumidores. Segundo o portal Central do Varejo, apenas 10% dos americanos começam a busca por produtos com inteligência artificial, de acordo com o AlixPartners 2026 Consumer Sentiment Index. O dado mostra que a tecnologia já aparece no processo de compra, mas ainda está longe de ser o principal caminho de descoberta de produtos.
O que revelou o levantamento
A pesquisa da AlixPartners ouviu mais de 9 mil consumidores dos Estados Unidos e foi realizada em julho, com foco em moda. O estudo também analisou 140 varejistas de nove segmentos. Entre Gen Z e millennials, a taxa de quem começa a busca por produtos com IA sobe para 14%.
O recado principal é claro: há curiosidade e uso crescente, mas a maior parte do público ainda não está pronta para deixar agentes de IA fazerem compras em seu nome, especialmente em categorias como moda.
Para Sonia Lapinsky, sócia e diretora-gerente da AlixPartners, os varejistas que esperarem a adoção em massa para agir podem perder espaço. A consultoria vê a tecnologia avançando, mas de forma desigual entre perfis de consumidores, faixas de renda e tipos de compra.
O que o consumidor valoriza na jornada de compra
O relatório mostra que a importância atribuída à tecnologia varia conforme a renda. Entre os consumidores que ganham US$ 150 mil ou mais, 68% consideram importante o uso de novas tecnologias. Já entre os que ganham menos de US$ 45 mil, esse índice cai para 53%.
No total, 57% dos entrevistados dizem dar importância ao item. Ainda assim, esse percentual fica abaixo de disponibilidade de produto, citada por 87%.
Na prática, isso significa que a IA pode ganhar espaço, mas não substitui o básico. O consumidor quer encontrar o produto certo, disponível e com preço adequado. A tecnologia entra como apoio, não como prioridade isolada.
Como a IA pode mudar a descoberta de produtos
A AlixPartners projeta aumento do uso de IA principalmente em produtos de reposição. O exemplo citado é simples: uma legging preta, de numeração padrão, por até US$ 30, pode ser um tipo de compra delegado a agentes de IA.
Esse movimento ajuda a entender onde a tecnologia tende a ganhar tração mais rápido. Quando o produto é recorrente, padronizado e de menor risco de decisão, a automação da busca e da escolha faz mais sentido para o consumidor.
Segundo o portal Central do Varejo, o relatório também aponta uma divisão no comportamento de compra:
- No topo do mercado, a marca continua guiando a decisão.
- A principal preocupação passa a ser o risco de cópias geradas por IA.
- Na base, a escolha tende a ser definida por especificações e preço.
- Marcas intermediárias precisam lidar com as duas pressões ao mesmo tempo.
Essa leitura mostra que a IA no varejo não afeta todas as empresas da mesma forma. A mudança depende da posição da marca, do tipo de produto e do perfil do cliente.
Por que a qualidade dos dados de produto virou prioridade
Um dos pontos mais relevantes do estudo é a importância da qualidade dos dados de produto. Isso porque agentes de IA leem informações estruturadas, como atributos, disponibilidade e preço. Eles não dependem de imagens bonitas ou textos persuasivos como um consumidor navegando manualmente.
Se o catálogo estiver incompleto, a marca pode simplesmente não aparecer para o agente. Em outros casos, a descrição pode sair imprecisa, afetando a chance de conversão.
Na prática, isso coloca a gestão de dados no centro da estratégia digital. Para ser encontrada por ferramentas de IA, a empresa precisa garantir que o catálogo esteja organizado, atualizado e consistente.
O que varejistas precisam observar agora
A pesquisa sugere que a adoção da IA no varejo deve crescer, mas de forma gradual. Isso exige preparação em várias frentes, especialmente em dados, catálogo e experiência de compra.
Alguns pontos merecem atenção:
- Estruturar melhor os atributos dos produtos.
- Atualizar disponibilidade e preço com frequência.
- Revisar a consistência das descrições.
- Garantir que o catálogo seja legível por sistemas automatizados.
- Acompanhar como diferentes perfis de consumidores usam a tecnologia.
O estudo também cita que compradores de renda mais alta tendem a usar a IA como concierge, para estilo e recomendações. Já os demais devem recorrer à ferramenta para comparar preços e decidir.
Isso reforça que a mesma tecnologia pode cumprir papéis diferentes conforme o público. Em um caso, ela ajuda a inspirar e orientar. No outro, serve para reduzir esforço na comparação e na decisão.
O que já está acontecendo no mercado
O relatório menciona que varejistas como Target, Best Buy, Macy’s e The Home Depot já lançaram assistentes próprios de IA. O movimento mostra que grandes redes estão testando formas de integrar a tecnologia à jornada de compra e de atendimento.
Ainda assim, o dado central permanece: a maioria dos consumidores não começa a busca por produtos com IA. Ou seja, existe um espaço importante entre a oferta das empresas e o comportamento real do público.
Perguntas frequentes
Quantos consumidores americanos começam a busca por produtos com IA?
Segundo a AlixPartners, 10% dos consumidores americanos começam a busca por produtos com inteligência artificial.
Quem usa mais IA na jornada de compra?
O índice é maior entre Gen Z e millennials, com 14%. O estudo também mostra maior interesse entre consumidores de renda mais alta.
Por que os dados de produto são tão importantes para a IA no varejo?
Porque agentes de IA dependem de informações estruturadas, como atributos, disponibilidade e preço. Se o catálogo estiver incompleto, a marca pode não aparecer ou ser descrita de forma incorreta.
O que esse cenário indica para o varejo
A principal mensagem do estudo é que a IA no varejo já influencia a descoberta de produtos, mas ainda não domina a jornada. Para as marcas, isso significa que a competição não é apenas por visibilidade em canais tradicionais, mas também por presença em sistemas que leem dados estruturados.
Quem organizar melhor o catálogo, atualizar informações com precisão e entender o comportamento de compra por faixa de renda e geração tende a sair na frente quando a adoção crescer. A tecnologia está avançando, mas a vantagem competitiva começa na base: dados bons, oferta clara e produto disponível.



