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C&A no 3T: lucro sobe com crédito tributário

A C&A teve alta no lucro líquido do terceiro trimestre de 2026, mas o avanço veio de créditos fiscais, não de uma melhora consistente nas vendas. Segundo o Mercado&Consumo, o período ainda mostrou atividade fraca no varejo da companhia.

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Loja da C&A com destaque para resultados financeiros do 3T de 2026
Foto: Mercado&Consumo

Em resumo

No terceiro trimestre de 2026, a C&A elevou o lucro líquido para R$ 170,3 milhões, segundo o Mercado&Consumo, mas o resultado foi impulsionado por créditos fiscais de PIS e Cofins. Sem esse efeito, o lucro ajustado caiu. As vendas mesmas lojas subiram só 1%, indicando atividade fraca.

A C&A teve lucro líquido de R$ 170,3 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 145,1% sobre o mesmo período de 2025, mas o resultado não refletiu uma melhora robusta da operação. Segundo o portal Mercado&Consumo, o ganho foi impulsionado pelo reconhecimento de créditos fiscais de PIS e Cofins, enquanto as vendas mostraram avanço limitado.

O que puxou o lucro da C&A

O principal fator por trás do salto no lucro foi contábil e tributário. A companhia reconheceu créditos fiscais de PIS e Cofins decorrentes de avaliações jurídicas sobre insumos essenciais, o que elevou o resultado final do trimestre.

Quando esse efeito é retirado da conta, o cenário fica mais contido. O lucro líquido ajustado pós-IFRS 16 recuou 23,3%, para R$ 56,5 milhões, ante R$ 73,6 milhões no terceiro trimestre de 2025. Ou seja, a comparação mostra que a expansão do lucro divulgado não veio de uma aceleração operacional equivalente.

Vendas crescem pouco e indicam atividade fraca

As vendas das mesmas lojas avançaram apenas 1% no período, dado que ajuda a explicar a leitura de atividade fraca no trimestre. A receita líquida de vestuário somou R$ 1,7 bilhão, com alta de 2,6% em relação ao 3T25.

A receita líquida consolidada cresceu 2,3%, atingindo R$ 1,88 bilhão. Ainda assim, o ritmo foi modesto diante do contexto descrito pela empresa, que citou menor fluxo de clientes, efeito Copa do Mundo e orçamento apertado das famílias como fatores que pressionaram o consumo.

A própria companhia afirmou em relatório que, mesmo com esse ambiente desafiador, alcançou a 21ª expansão trimestral consecutiva da margem bruta de vestuário, com foco em eficiência na gestão de estoque.

Canal digital foi destaque no trimestre

Se o varejo físico avançou de forma limitada, o canal digital apareceu como destaque. O site e o aplicativo cresceram 27,6% e passaram a representar 8,0% das vendas de mercadorias.

Segundo o material divulgado pela empresa, esse desempenho foi impulsionado por melhorias na jornada de compra de dois cliques e por iniciativas de social commerce. Na prática, o digital ajudou a compensar parte da pressão sobre as lojas, mas ainda sem mudar o quadro geral de crescimento mais contido.

Ebitda, investimentos e endividamento

O Ebitda ajustado pós-IFRS 16 recuou para R$ 317,6 milhões, com margem de 16,9%. A queda refletiu, de acordo com a empresa, investimentos não recorrentes em marketing, concentrados nas comemorações dos 50 anos da marca no Brasil e na participação no festival Rock in Rio.

Outros indicadores também ajudam a entender o trimestre:

  • Tíquete médio consolidado: R$ 193,1
  • Capex: R$ 183,9 milhões, alta de 26,2%
  • Dívida líquida: R$ 200,5 milhões, piora de 119,2% na comparação anual
  • Resultado financeiro: negativo em R$ 56,9 milhões
  • Alavancagem: 0,2 vez dívida líquida sobre Ebitda
  • ROIC ajustado: 18,0% em doze meses

O aumento do Capex foi motivado pela aceleração dos aportes em reformas de lojas, expansão do parque e operacionalização do novo Centro de Distribuição no Nordeste.

O que o mercado deve observar daqui para frente

O balanço do terceiro trimestre mostra uma empresa que segue investindo, mas ainda depende de fatores não recorrentes para turbinar o lucro. Ao mesmo tempo, o consumo segue pressionado, o que limita uma reação mais forte das vendas.

Para quem acompanha o varejo, o ponto central não está apenas no lucro divulgado, mas na qualidade desse resultado. Quando o ganho vem de crédito tributário, a leitura mais importante é entender se a operação principal está conseguindo sustentar crescimento, margem e geração de caixa.

No caso da C&A, os números mostram uma combinação de avanço em digital, controle de margem e aumento de investimentos, mas também revelam vendas ainda tímidas e maior pressão financeira. Isso explica por que o trimestre foi positivo no lucro contábil, mas menos convincente do ponto de vista operacional.

Perguntas frequentes

O lucro da C&A no 3T de 2026 cresceu por causa das vendas?

Não. Segundo o Mercado&Consumo, o lucro subiu principalmente por créditos fiscais de PIS e Cofins.

Como ficaram as vendas mesmas lojas da C&A?

As vendas mesmas lojas cresceram 1% no trimestre, sinal de atividade fraca no período.

O canal digital teve bom desempenho?

Sim. O canal digital cresceu 27,6% e respondeu por 8,0% das vendas de mercadorias no trimestre.