Atacarejo melhora vendas após proibição das bets
Levantamento da NielsenIQ mostra avanço disseminado no atacarejo nas semanas seguintes à proibição das bets no Brasil. O canal acumulou três semanas seguidas de crescimento em faturamento e unidades.

Em resumo
Segundo a NielsenIQ, 84,3% das lojas comparáveis de atacarejo melhoraram a taxa de vendas entre as semanas 41 e 43, no período após a proibição das bets no Brasil. Na semana 43, o canal teve alta de 7,8% no faturamento e 2,4% nas unidades, indicando melhora disseminada, sem que o estudo estabeleça relação causal.
O atacarejo melhorou vendas nas semanas seguintes à proibição das bets no Brasil, segundo a NielsenIQ, com 84,3% das lojas comparáveis do canal apresentando avanço na taxa de vendas entre as semanas 41 e 43. Na semana 43, encerrada em 25 de outubro, o segmento registrou alta de 7,8% no faturamento e de 2,4% nas unidades vendidas.
O que mostra o levantamento da NIQ
A informação foi divulgada pelo portal Mercado&Consumo, com base em estudo da NielsenIQ (NIQ). O levantamento indica que a melhora no atacarejo apareceu no período posterior à proibição das bets, mas não conclui que a medida tenha causado o desempenho positivo.
O estudo analisou mesmas lojas e reuniu 16.353 estabelecimentos dos canais avaliados. Entre os principais achados, estão:
- 84,3% das lojas comparáveis do atacarejo melhoraram a taxa de vendas entre as semanas 41 e 43
- 71,4% dos estabelecimentos do canal registraram crescimento positivo de faturamento no mesmo intervalo
- na semana 43, o atacarejo teve alta de 7,8% em faturamento e 2,4% em unidades vendidas
- foi a terceira semana consecutiva de resultado positivo nos dois indicadores
Por que o dado chama atenção
O avanço do atacarejo aparece em um momento de mudança no comportamento de compra. Segundo a NIQ, o canal saiu de uma sequência de retração nas unidades para uma trajetória de crescimento em faturamento e volume, mesmo com desaceleração na última semana analisada.
Na comparação com o desempenho anterior, o faturamento do atacarejo passou de queda de 3,5% nas semanas 39 e 40 para alta de 5,4% nas semanas 41 e 42 e de 5,6% no acumulado das semanas 41 a 43, sempre em relação aos mesmos períodos de 2025.
Nos demais canais, as taxas foram de -1,5%, 2,8% e 2,4%, respectivamente. A melhora no atacarejo chegou a cerca de 9 pontos percentuais, ante 3,9 pontos nos outros formatos.
Comparação com outros canais
A leitura do estudo reforça que o atacarejo teve desempenho acima da média dos formatos avaliados. Além da taxa de vendas, a análise mostra diferença na proporção de lojas com crescimento de faturamento:
- 71,4% no atacarejo
- 60,7% nos demais canais
A melhora também apareceu na análise das dez redes incluídas no levantamento. Entre as bandeiras, a parcela de lojas que melhoraram a taxa de vendas variou de 93,3% a 100%, com avanços entre 8,2 e 22,2 pontos percentuais na comparação entre os blocos das semanas 39 e 40 e das semanas 41 a 43.
O que aconteceu com o ritmo de vendas
Apesar do resultado positivo, o crescimento das unidades no atacarejo perdeu força ao longo das semanas analisadas. A NIQ apontou:
- 5,5% na semana 41
- 3,0% na semana 42
- 2,4% na semana 43
Mesmo com a desaceleração, o canal permaneceu no campo positivo. Isso ajuda a explicar por que o atacarejo segue em destaque no varejo alimentar, com expansão de faturamento sustentada por uma base ampla de lojas em melhora.
Mudança na composição das compras
A NIQ também observou alteração na composição das compras de alimentos. Entre as semanas 36 e 43, o preço de uma cesta fixa de produtos comuns aos períodos subiu 0,31% no conjunto de autosserviço alimentar e atacarejo. Já o indicador de mix dentro das categorias ficou em 2,96%.
No atacarejo, a cesta fixa avançou 0,65%, enquanto o indicador de mix foi de 2,61%.
A leitura do estudo é que o movimento indica maior peso de produtos de preço mais alto, como marcas, versões ou embalagens que exigem maior desembolso por unidade.
Na comparação entre as semanas 42 e 43, os números foram os seguintes:
- cesta fixa do alimentar: alta de 0,55% no conjunto de autosserviço e atacarejo
- mix: 1,94%
- no atacarejo, a cesta fixa subiu 0,57%
- no atacarejo, o mix ficou em 0,71%
A mudança na composição aparece com mais clareza em refrigerantes e cervejas. O café não acompanhou o mesmo padrão.
O que a comparação histórica indica
A análise histórica da NIQ mostra que a melhora da taxa de vendas do painel total superou a observada em 93% dos 103 períodos analisados. Já o avanço adicional do atacarejo em relação aos demais canais foi maior do que o registrado em 94% das janelas históricas.
O estudo compara blocos de duas semanas com blocos de três semanas, sempre em relação ao período correspondente do ano anterior. A própria NIQ ressalta que esses percentuais mostram a posição do resultado no histórico, e não representam probabilidade de a melhora ter sido causada pela proibição das apostas online.
O que isso significa para o varejo
Para o varejo alimentar, o dado reforça a importância de monitorar mudanças de comportamento em janelas curtas. O atacarejo aparece com desempenho superior ao de outros formatos, tanto em faturamento quanto em volume, e com melhora disseminada entre as lojas analisadas.
Ao mesmo tempo, o estudo sugere que a composição das compras também mudou, com maior participação de itens de maior valor em algumas categorias. Isso pode ser relevante para estratégias de mix, precificação e exposição de produtos no ponto de venda.
Perguntas frequentes
O atacarejo cresceu por causa da proibição das bets?
A NIQ identificou melhora no atacarejo no período posterior à proibição das bets, mas não estabeleceu relação causal entre os dois fatos.
Qual foi o principal dado do levantamento?
O destaque foi que 84,3% das lojas comparáveis do atacarejo melhoraram a taxa de vendas entre as semanas 41 e 43.
O desempenho foi positivo em vendas e faturamento?
Sim. Na semana 43, o atacarejo teve alta de 7,8% no faturamento e de 2,4% nas unidades vendidas, segundo a NIQ.
Leitura final
O estudo da NielsenIQ mostra um atacarejo mais forte nas semanas seguintes à proibição das bets, com avanço disseminado entre lojas, crescimento em faturamento e manutenção do volume no campo positivo. Embora a análise não comprove causa e efeito, os dados ajudam a entender como o canal reagiu no período e quais mudanças de consumo apareceram no varejo alimentar.



