Roubo na Binance: Coreia do Norte e perda de R$ 33,8 bilhões
O FBI atribuiu o ataque hacker que desviou R$ 33,8 bilhões da Binance ao grupo norte-coreano TraderTraitor. A corretora já cobriu 95% das perdas.

Em resumo
Em 1º de novembro de 2026, o FBI atribuiu à Coreia do Norte o roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance. O grupo suspeito, TraderTraitor, agiu no dia 29 de outubro. A corretora assumiu o prejuízo e já recompôs 95% dos ativos.
O FBI (Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos) confirmou que a Coreia do Norte é a principal suspeita do recente ataque à Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo. Segundo o portal Olhar Digital, a agência estadunidense atribuiu a operação ao grupo de hackers TraderTraitor, que teria desviado US$ 6,3 bilhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 33,8 bilhões na cotação do dia. O incidente ocorreu por volta de 29 de outubro de 2026 e representa um dos maiores golpes já registrados no setor de ativos digitais.
A confirmação oficial da agência norte-americana encerra uma fase de especulação no mercado. Antes do comunicado, empresas privadas de análise de blockchain já apontavam indícios de participação de atores estatais no caso. A atribuição pelo FBI reforça a gravidade do evento e coloca em evidência a complexidade das ameaças cibernéticas que enfrentam as grandes plataformas financeiras descentralizadas.
Como o ataque foi executado
A investigação inicial da Binance, divulgada pelo co-CEO Richard Teng, descreve a invasão como um ataque complexo que explorou múltiplas vulnerabilidades. O ponto de entrada inicial teria sido um computador portátil comprometido, pertencente a um engenheiro da empresa. Esse acesso permitiu que os criminosos alcançassem sistemas internos e autorizassem transações de retirada não permitidas.
De acordo com as informações reportadas, a maior parte dos recursos foi desviada em um intervalo de aproximadamente 20 minutos, na noite de quinta-feira (29). Os invasores conseguiram acessar carteiras digitais da plataforma e transferir os ativos para endereços sob seu controle. Para dificultar o rastreamento, os hackers utilizaram um programa malicioso desenvolvido especificamente para apagar evidências das suas atividades nos servidores da corretora.
O papel do TraderTraitor
Segundo a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA), o TraderTraitor é um grupo patrocinado pelo Estado norte-coreano. A unidade é considerada parte do Lazarus Group, organização hacker conhecida por realizar ataques contra empresas de diferentes setores, com foco especial no mercado de blockchain e criptomoedas desde pelo menos 2020.
Entre as estratégias utilizadas pelo grupo estão:
- Campanhas de spear phishing, nas quais criminosos enviam mensagens direcionadas para enganar vítimas específicas e obter acesso a sistemas confidenciais;
- Distribuição de programas maliciosos para comprometer a segurança de dispositivos;
- Aproveitamento de vulnerabilidades em sistemas internos de grandes corporações.
O histórico do grupo inclui o roubo de aproximadamente US$ 1,5 bilhões (cerca de R$ 8 bilhões) da corretora Bybit, em fevereiro de 2025. Na ocasião, o FBI também atribuiu o ataque à Coreia do Norte. O governo de Pyongyang nega há anos utilizar unidades cibernéticas ligadas ao Estado para espionagem, roubos financeiros e obtenção de recursos. Após a acusação recente contra a Binance, a missão diplomática norte-coreana em Genebra e a embaixada do país na China não responderam aos pedidos de comentário.
Resposta da Binance e recuperação dos ativos
Após o ataque, a Binance afirmou que assumiria integralmente o impacto financeiro do roubo. A empresa reservou aproximadamente US$ 6,34 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) de seus próprios recursos para recompor os ativos desviados. A recompensação envolveu recursos do Secure Asset Fund for Users (SAFU), fundo de proteção aos clientes da Binance, do fundo de seguro de operações futuras e do caixa corporativo.
Na atualização mais recente, a corretora informou ter coberto 95% das criptomoedas roubadas, utilizando dinheiro da empresa para comprar tokens substitutos. Os 5% restantes correspondem a ativos com menor liquidez, que podem levar mais tempo para serem encontrados nas quantidades necessárias no mercado.
A corretora também trabalhou com parceiros do setor para congelar parte dos ativos afetados. Até sexta-feira (30), aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 16,1 bilhões) haviam sido localizados por meio desses esforços. A empresa começou a retomar os saques de Bitcoin, Ether e algumas stablecoins neste domingo (1º), com a liberação gradual de diferentes criptomoedas.
Richard Teng reforçou em comunicado que a Binance pretende cobrir integralmente os prejuízos e que os usuários não precisarão arcar com as perdas provocadas pelo ataque. A suspensão temporária de depósitos e saques foi implementada enquanto a empresa realizava verificações de segurança e trabalhava com autoridades para rastrear e congelar os valores.
Impacto no mercado de criptomoedas
O episódio destaca a transformação nas ameaças digitais enfrentadas pelo setor. O uso de recursos estatais para financiar ataques cibernéticos de alto impacto financeiro preocupa investidores e reguladores. A capacidade do grupo de mover grandes volumes de ativos em poucos minutos e de utilizar ferramentas de anti-forense demonstra a evolução das táticas utilizadas por hackers patrocinados por governos.
A identificação dos endereços digitais utilizados pelo grupo levou o FBI a pedir que empresas do setor bloqueiem transações relacionadas a esses endereços. Os investigadores esperam que os criminosos tentem lavar os recursos por meio de operações envolvendo plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) e serviços de troca instantânea de criptomoedas.
Perguntas frequentes
Quem foi apontado como responsável pelo ataque à Binance?
O FBI apontou a Coreia do Norte como responsável, especificamente o grupo de hackers TraderTraitor, associado ao Lazarus Group e patrocinado pelo governo norte-coreano.
Qual foi o valor total roubado da Binance?
O valor total roubado foi de US$ 6,3 bilhões, o que equivale a aproximadamente R$ 33,8 bilhões. A corretora já cobriu 95% desse montante com recursos próprios.
Os usuários da Binance perdem dinheiro por causa do ataque?
Não. A Binance informou que assumiria integralmente o impacto financeiro do roubo e que os usuários não precisarão arcar com as perdas provocadas pelo ataque.



