Proibição das bets pressiona agências e veículos
Suspensão da publicidade de apostas afeta contratos e receitas de um setor que movimentou R$ 2,12 bilhões em anúncios na televisão em 18 meses.

Em resumo
A proibição das bets afeta agências de publicidade, emissoras e contratos de patrocínio no Brasil. As empresas do setor investiram R$ 2,12 bilhões em anúncios na televisão entre janeiro de 2025 e junho de 2026. A suspensão das campanhas pressiona receitas e levanta dúvidas sobre multas e pagamentos antecipados.
A proibição das bets atinge a cadeia da publicidade brasileira, com efeitos sobre agências, emissoras e empresas envolvidas em campanhas e patrocínios. Segundo reportagem do Propmark, a interrupção das operações das casas de apostas também abre discussões sobre compromissos comerciais já assumidos e pagamentos antecipados.
A medida está prevista na MP 1.394/2026, de 25 de setembro, que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. O texto abrange apostas esportivas e jogos on-line dessa modalidade, preservando as demais modalidades lotéricas autorizadas por lei.
Como a proibição das bets afeta a publicidade?
A mudança alcança anúncios, ações de marketing e patrocínios em meios físicos e digitais. A restrição também abrange conteúdos destinados ao público brasileiro que promovam ou facilitem o acesso às apostas, independentemente do formato ou da forma de remuneração.
O tamanho dessa participação ajuda a explicar a preocupação do mercado. Segundo dados apresentados por César Sponchiado, CEO e fundador da Tunad, as empresas de apostas investiram R$ 2,12 bilhões em TV aberta e paga entre janeiro de 2025 e junho de 2026. De janeiro a agosto de 2026, foram R$ 542,4 milhões somente na TV aberta linear.
Esses valores representam investimentos históricos monitorados, e não uma estimativa de prejuízo já confirmado após a proibição.
Para Sponchiado, substituir esses anunciantes exige tempo. As bets ocupavam intervalos comerciais, espaços de merchandising e inserções em transmissões esportivas. Mesmo quando outra marca assume o espaço, a negociação pode ocorrer por valores diferentes.
O que acontece com os contratos em andamento?
A suspensão das campanhas traz dúvidas sobre rescisões, multas e responsabilidades. Em entrevista ao Propmark, o advogado Pedro Henrique Zaithammer, sócio do Suttile & Vaciski Advogados Associados, explica que a mudança regulatória não elimina automaticamente as obrigações privadas anteriores.
Pagamentos antecipados exigem análise individual
Segundo o advogado, a avaliação depende do contrato e do papel da agência: intermediária do anunciante ou responsável direta perante fornecedores. Nos acordos pagos antecipadamente, não se pode presumir devolução integral nem retenção automática de todos os valores.
O cenário ainda pode mudar?
Medidas provisórias têm força de lei, mas dependem da apreciação da Câmara e do Senado para conversão definitiva em lei. O prazo inicial de vigência é de 60 dias, prorrogável por igual período quando a votação não tiver sido concluída.
Para o mercado publicitário, há uma distinção relevante: uma eventual autorização para retomar as apostas não garante a volta dos anúncios. Na avaliação de Sponchiado, operação e publicidade podem receber tratamentos diferentes nas decisões sobre o setor.



