Google, Meta e TikTok processam Califórnia
Google, Meta e TikTok acionaram a Justiça contra uma lei da Califórnia que limita recursos em redes sociais para menores de 16 anos. As empresas tentam impedir que a regra entre em vigor em janeiro de 2027.

Em resumo
Google, Meta e TikTok processaram a Califórnia para tentar barrar uma lei que restringe recursos de redes sociais para menores de 16 anos. Segundo o Olhar Digital, as empresas alegam violação à liberdade de expressão e conflito com a Seção 230. A norma está prevista para entrar em vigor em janeiro de 2027.
Google, Meta e TikTok processaram a Califórnia para tentar impedir que uma nova lei de proteção a menores entre em vigor em janeiro de 2027. Segundo o portal Olhar Digital, as empresas contestam a regra porque ela limita recursos considerados potencialmente viciantes em redes sociais para usuários com menos de 16 anos.
O que está em disputa
A legislação foi assinada pelo governador Gavin Newsom em setembro e proíbe que plataformas ofereçam determinados recursos a crianças e adolescentes. Entre os itens citados no texto estão a reprodução automática de vídeos e os sistemas de recomendação personalizada.
De acordo com o Olhar Digital, a proposta parte da avaliação de que essas ferramentas podem estimular o uso compulsivo das redes sociais por menores. Caso a empresa descumpra as exigências, poderá haver multas.
As ações judiciais foram apresentadas separadamente em tribunais federais da Califórnia nesta quinta-feira, 5. O objetivo das companhias é barrar a entrada em vigor da lei antes do prazo previsto.
Por que as empresas estão processando a Califórnia
As três companhias argumentam que a norma viola direitos de liberdade de expressão e entra em conflito com a Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações dos Estados Unidos, que protege plataformas de responsabilidade pelo conteúdo publicado por usuários.
Na prática, o debate gira em torno de até onde a lei pode ir ao tentar limitar o funcionamento dos algoritmos e a forma como os conteúdos são entregues ao público mais jovem.
Segundo o Olhar Digital, a Meta afirma que a legislação interfere na maneira como conteúdos são organizados, exibidos e compartilhados com os usuários. A empresa também sustenta que a regra afetaria a capacidade de recomendar materiais adequados para cada faixa etária.
O Google, por sua vez, afirma que já oferece mecanismos de proteção para menores no YouTube. Entre os exemplos citados estão o bloqueio da reprodução automática em contas infantis e a possibilidade de responsáveis desativarem o Shorts, feed de vídeos curtos da plataforma.
Já o TikTok sustenta, na ação, que exerce “poder de decisão editorial” sobre os vídeos apresentados aos usuários. Para a empresa, a legislação restringe esse direito.
O que as empresas dizem sobre proteção infantil
O Google reforçou que os pais devem ter papel central nas decisões sobre o uso das plataformas pelas famílias. Em declaração citada pelo Olhar Digital, José Castañeda, porta-voz da empresa, afirmou: “Acreditamos que os pais estão mais bem posicionados para tomar as decisões certas para suas famílias”.
A companhia diz que oferece ferramentas e proteções para que os responsáveis tenham controle sobre a experiência dos menores.
A discussão, portanto, não se limita a uma disputa jurídica. Ela também expõe um conflito entre dois pontos de vista: de um lado, a tentativa do governo estadual de reduzir riscos para crianças e adolescentes; de outro, a defesa das empresas de que suas escolhas de design e distribuição de conteúdo fazem parte da operação editorial e comercial das plataformas.
Lei chega em meio a outros processos
A ofensiva contra a legislação da Califórnia acontece em um cenário de pressão crescente sobre o setor. Segundo o Olhar Digital, as empresas já enfrentam uma série de processos relacionados aos possíveis efeitos do uso excessivo de redes sociais por crianças e adolescentes.
Em março, Meta e YouTube perderam um processo em Los Angeles movido por uma jovem que afirmou ter desenvolvido dependência dos serviços. As empresas foram condenadas a pagar US$ 6 milhões em indenização.
No mês passado, a Meta também fechou acordo em uma ação semelhante movida por uma jovem de 18 anos do Mississippi. A autora já havia firmado acordos com TikTok e YouTube.
Esses episódios ajudam a explicar por que a nova lei da Califórnia ganhou tanta relevância. Para defensores da medida, o foco deveria estar em reduzir mecanismos que incentivam o uso contínuo por menores. Já para as plataformas, a discussão envolve o limite da regulação sobre produtos digitais e sobre a forma como o conteúdo é distribuído.
O que pode acontecer agora
Por enquanto, o caso está nas mãos da Justiça federal. As empresas querem impedir que a lei seja aplicada a partir de janeiro de 2027, enquanto defensores da norma argumentam que ela é necessária para proteger crianças e adolescentes.
A disputa deve seguir com base em dois eixos principais:
- se a Califórnia pode restringir recursos de design usados por plataformas digitais;
- se essas restrições ferem a liberdade de expressão e a Seção 230;
- se ferramentas como autoplay e recomendação personalizada representam risco suficiente para justificar a lei.
O caso também pode influenciar como outras regiões tratam o tema. Se a legislação for mantida, a decisão pode reforçar limites para recursos usados por redes sociais no público mais jovem. Se for derrubada, as plataformas ganham força para contestar regras semelhantes em outros lugares.
Perguntas frequentes
O que a lei da Califórnia proíbe?
A norma impede que empresas ofereçam certos recursos a usuários com menos de 16 anos, incluindo reprodução automática de vídeos e recomendação personalizada.
Por que Google, Meta e TikTok processaram a Califórnia?
As empresas afirmam que a lei viola a liberdade de expressão e entra em conflito com a Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações dos Estados Unidos.
Quando a lei deve entrar em vigor?
Segundo o material do Olhar Digital, a legislação deve entrar em vigor em janeiro de 2027, caso não seja barrada pela Justiça.
A disputa mostra como a proteção de menores virou um dos principais pontos de tensão entre governos e plataformas digitais. No centro do caso está a pergunta sobre quem deve definir os limites do uso de recursos que mantêm crianças e adolescentes mais tempo conectados.



