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Fita magnética volta a crescer com IA e data centers

A IA está reacendendo a demanda por fita magnética em data centers. A Fujifilm vai ampliar a produção para atender a busca por armazenamento de longo prazo.

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Fitas magnéticas em rolos usadas para armazenamento em data centers de IA
Foto: gerada por IA

Em resumo

Segundo o Canaltech, a Fujifilm vai ampliar em 5 vezes a produção de fita magnética entre 2026 e 2028 para atender data centers de IA. O motivo é a alta demanda por armazenamento de dados frios, em um cenário de escassez e preços elevados de SSDs e HDDs empresariais.

A Fujifilm vai ampliar em 5 vezes a produção de fita magnética para atender a demanda crescente de data centers de IA, segundo o portal Canaltech. A empresa japonesa anunciou um investimento de 10 bilhões de ienes, cerca de US$ 64 milhões, em sua fábrica de Kanagawa, em Odawara, para reforçar a fabricação de mídia de armazenamento voltada a dados frios.

Por que a fita magnética voltou ao centro da conversa

O movimento acontece porque a expansão da inteligência artificial elevou de forma acelerada o volume de dados gerados em treinamento e inferência de modelos. Com isso, empresas de nuvem e grandes data centers passaram a buscar alternativas mais viáveis para guardar informações que precisam ser preservadas por muito tempo, mas que não exigem acesso imediato.

É nesse cenário que a fita magnética reaparece como solução prática. Embora seja uma tecnologia associada ao passado, ela voltou a ganhar espaço por unir custo menor e consumo reduzido de energia em repouso. Em momentos de alta pressão sobre a cadeia de suprimentos, essa combinação pesa bastante na decisão de compra de grandes operadores de infraestrutura.

O que a Fujifilm anunciou

De acordo com o Canaltech, o investimento será aplicado na unidade de Kanagawa e marca o maior aporte da Fujifilm na tecnologia em duas décadas. O plano cobre o período fiscal de 2026 a 2028 e mira diretamente a expansão da produção de fitas para armazenamento empresarial.

A empresa quer responder ao aumento da procura por meios mais baratos para retenção de dados em larga escala. O foco está em atender principalmente ambientes corporativos com grande volume de informação acumulada, em especial os que lidam com dados frios.

O que são dados frios e por que eles importam

Dados frios são informações importantes, mas raramente acessadas no dia a dia. Eles precisam ficar guardados com segurança por muito tempo, sem exigir leitura constante. Isso inclui arquivos históricos, registros operacionais e outros conteúdos que devem ser mantidos, mas não precisam estar sempre em uso.

Para esse tipo de necessidade, a fita magnética faz sentido porque oferece armazenamento de longa duração com custo mais baixo do que outras mídias empresariais. Em data centers de grande porte, esse fator pode representar uma economia relevante ao longo do tempo.

Fita magnética x SSD e HDD corporativos

O avanço da IA também pressionou o mercado de SSDs e HDDs empresariais. Segundo o Canaltech, os preços dessas soluções chegaram a patamares considerados proibitivos por causa do desabastecimento global.

Nesse contexto, a fita magnética voltou a ser vista como alternativa viável. Entre os principais atrativos estão:

  • custo de retenção por terabyte menor do que o de discos rígidos tradicionais;
  • gasto de energia reduzido quando o sistema está em repouso;
  • boa adequação para armazenamento de longo prazo;
  • uso eficiente em grandes volumes de dados frios.

O próprio material aponta que o custo por terabyte em fitas pode ser cerca de um quarto do valor cobrado por discos rígidos tradicionais, além de ficar muito abaixo do custo de SSDs corporativos de alto desempenho.

O papel do novo padrão LTO-10

O aporte da Fujifilm será direcionado à expansão e fabricação de fitas baseadas no padrão LTO-10. Os cartuchos dessa geração têm capacidade nativa de 40 TB e podem chegar a 100 TB por unidade com compressão de dados.

A evolução do ecossistema LTO também já tem próximas etapas previstas. O material cita a LTO-11 em 2029, com 70 TB nativos, além de projeções que podem alcançar até 365 TB brutos por fita em gerações futuras.

Isso ajuda a explicar por que a tecnologia continua relevante para empresas que precisam equilibrar volume, custo e preservação de dados. Em vez de competir com soluções de acesso rápido, a fita se posiciona como camada de armazenamento voltada à retenção prolongada.

O que esse movimento revela sobre o mercado de hardware

O caso da Fujifilm mostra como a pressão da IA está redesenhando prioridades na indústria de hardware. A demanda por infraestrutura para treinamento e inferência não afeta apenas processadores e memória, mas também a camada de armazenamento.

Quando SSDs e HDDs empresariais ficam caros ou escassos, as empresas procuram alternativas mais sustentáveis financeiramente. A fita magnética entra justamente nesse espaço, com um papel menos glamouroso, mas estratégico para data centers que precisam guardar muito e gastar menos.

Além disso, a tecnologia oferece uma vantagem operacional importante: menor consumo energético quando os dados ficam parados. Em ambientes com enorme volume de informação, isso pode ajudar a reduzir custos recorrentes de operação.

A expansão da Fujifilm vai além do armazenamento

O Canaltech também destaca que o crescimento da Fujifilm não se limita a esse segmento. A empresa se consolidou como a terceira maior fabricante de câmeras do mundo, deixando a Nikon para trás.

Esse dado ajuda a mostrar a dimensão da companhia japonesa, que atua em frentes diferentes e consegue investir em áreas de nicho quando identifica oportunidade de mercado. No caso da fita magnética, a demanda criada pela IA abriu espaço para uma tecnologia que parecia ter ficado no passado.

O que esperar daqui para frente

A ampliação da produção da Fujifilm indica que o mercado de armazenamento ainda tem espaço para soluções tradicionais, desde que elas entreguem eficiência econômica e operacional. Com o avanço da IA, a tendência é que a discussão sobre guardar grandes volumes de dados fique ainda mais importante.

Para data centers, a decisão não passa apenas por velocidade. Em muitos casos, o que pesa é o custo total de manter a informação segura ao longo dos anos. É por isso que a fita magnética volta ao radar como uma resposta pragmática a um problema criado, em parte, pelo próprio crescimento da inteligência artificial.

Perguntas frequentes

Por que a fita magnética voltou a ser usada?

Porque a IA aumentou muito a geração de dados, e a fita passou a oferecer uma alternativa mais barata para guardar informações de longo prazo, especialmente dados frios.

O que a Fujifilm anunciou exatamente?

A empresa vai investir 10 bilhões de ienes na fábrica de Kanagawa, em Odawara, para ampliar em 5 vezes a produção de fita magnética entre 2026 e 2028.

A fita magnética substitui SSDs e HDDs?

Não. Ela aparece como opção complementar, sobretudo para armazenar dados frios, quando o custo e o consumo de energia importam mais do que o acesso imediato.

Conclusão

A volta da fita magnética ao centro das decisões de armazenamento mostra como a IA está impactando até tecnologias que pareciam ultrapassadas. Segundo o Canaltech, a Fujifilm aposta na expansão da produção para atender um mercado pressionado por custos altos, escassez de componentes e a necessidade crescente de guardar dados em grande escala.