Demissões nas bets: associação aponta mais de 3,5 mil cortes e alerta para impacto na publicidade
Levantamento é parcial e inclui projeções de novos desligamentos e pressão sobre fornecedores.

Em resumo
As demissões nas bets ultrapassaram 3.500 trabalhadores desde a proibição das apostas de quota fixa, segundo levantamento parcial da ANJL. A associação também registra 4.167 funcionários em férias coletivas e projeta novos cortes. O cenário pode afetar fornecedores, agências de publicidade e veículos de comunicação.
As demissões nas bets já superaram 3.500 trabalhadores, segundo levantamento parcial divulgado pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) em 7 de outubro. Os dados foram fornecidos pelas empresas de apostas e representam, na estimativa da entidade, 23% da força de trabalho do setor.
Os desligamentos ocorrem após a edição da Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026. A norma proibiu as apostas de quota fixa, abrangendo eventos esportivos e jogos online, além de estabelecer restrições à publicidade, ao marketing e aos patrocínios relacionados à atividade.
Demissões nas bets: o que o levantamento mostra
Além dos cortes informados, a ANJL registra 4.167 funcionários em férias coletivas. A associação projeta que os desligamentos possam alcançar 5.600 trabalhadores em 90 dias, equivalentes a 37% dos empregados do setor em seus cálculos.
O levantamento considera demissões e encerramentos de contratos ocorridos desde 25 de setembro. Quando o comunicado foi divulgado, as empresas ainda podiam enviar informações, o que reforça o caráter preliminar dos números.
Os trabalhadores em férias coletivas não devem ser somados automaticamente aos demitidos. Segundo a entidade, parte desse grupo poderá ser desligada caso a paralisação das atividades continue.
Por que o alerta chega às agências e aos veículos?
O impacto descrito pelo setor alcança empresas de marketing, meios de pagamento, agências e veículos especializados.
Em entrevista ao Poder360, Bernardo Freire, consultor jurídico da ANJL, afirmou que R$ 2,4 bilhões em investimentos publicitários previstos para 2027 já foram retirados das projeções das agências. A cifra se refere a verbas esperadas para o próximo ano, segundo a avaliação apresentada pelo representante da associação.
Para as empresas que atendem esse mercado, o risco apontado é a redução da demanda por campanhas e serviços, com possíveis reflexos sobre equipes e planejamento comercial.
A ligação com a publicidade também está no texto da medida provisória: a proibição abrange ações promocionais e patrocínios em meios físicos ou digitais direcionados ao público brasileiro.
Qual é o argumento do governo para a proibição?
Na exposição de motivos que acompanha a MP, o governo sustenta que as regras anteriores não conseguiram proteger adequadamente a saúde dos consumidores e a estabilidade financeira das famílias.
O documento menciona endividamento, efeitos sobre o consumo e exposição de crianças e adolescentes às apostas. Também relaciona a expansão da atividade à disponibilidade permanente das plataformas, à facilidade dos pagamentos e ao uso intensivo de publicidade.
Com esses argumentos, o Executivo defende a substituição do modelo de operação autorizada pela proibição. O texto prevê uma transição para encerrar as atividades, devolver recursos aos apostadores e preservar obrigações das empresas.



